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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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ALMADA NA ÓPERA E NO MNT

 

O Teatro Nacional de São Carlos organiza uma exposição denominada Noites em São Carlos, onde evoca e exibe peças e documentos do vastíssimo espólio do Teatro respeitante a produções de Almada, Verdi e Wagner. A mostra é comissionada por Fernando Carvalho que, no catálogo, evoca a colaboração de Almada em espetáculos de ópera. E efectivamente, são dele os cenários e figurinos das produções operísticas de Rui Coelho, designadamente para as óperas Inês de Castro e Crisfal, ambas de 1943. Também são reproduzidos os figurinos do Auto da Alma de Gil Vicente, na encenação de Amélia Rey Colaço, em 1965.

Os originais e os figurinos pertencem hoje e estão expostos no Museu Nacional do Teatro: constituem aliás um dos grandes momentos da exposição visitada na passada semana pelo CNC.

Vejamos esse espólio. Não se trata apenas – e já seria muito – de um conjunto de cenas e figurinos desenhados por Almada. Na mostra do MNC, impõe-se e transparece uma interpretação dos personagens na perspetiva da modernidade e atualidade do texto de Gil Vicente, mas com um rigor e um “respeito”, digamos assim, do próprio texto vicentino, da sua época e da sua simbologia, numa conciliação exemplar do fator histórico e da interpretação moderna, viva e atual, da cena.

É evidente que no Auto da Alma, o texto e o conteúdo, a tentação e a sublimação são de todas as épocas; mas Almada e Amélia souberam resistir a certas “transplantações” e certas modernizações por vezes discutíveis dos textos: o resultado desses exercícios por vezes torna-se muito interessante; mas por vezes, conduz ao “envelhecimento” precoce de versões-interpretações que, precisamente, se querem atuais.

Por seu lado, a mostra do TNSC abre com uma evocação/homenagem a Almada, da autoria de Luís Vieira Batista. Trata-se de uma torre/biombo triangular com pinturas evocativas de obras referenciais de Almada – o Ponto de Bauhutte, A Engomadeira e auto-retratos de Almada. E o catálogo reproduz também o auto-retrato em Família (1944) com Sara Afonso e os filhos José e Paula. E finalmente uma detalhada cronologia da vida e obra de Almada Negreiros.

Mas contem ainda duas reproduções de cenas das óperas de Rui Coelho a que acima aludimos – Inês de Castro e Crisfal. Trata-se respetivamente de um interior e de uma paisagem.

Guilherme d’Oliveira Martins e José Carlos Alvarez assinaram um protocolo de cooperação entre o CNC e o MNT. É uma colaboração que será  muito benéfica para a cultura portuguesa, pois ambas as entidades reforçam uma colaboração institucional e uma complementaridade de investigação e de difusão cultural.

 

DUARTE IVO CRUZ 

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