21.
Não quero os leves lemes
Dos outros que se partem
Em mil pedacitos
De por dentro serem secos ou podres
Não quero
O grandemente dado por certo
Que não é sequer um carinho
Quanto mais amor de alguém
Não quero estes seres sem sinal
De qualquer réstia vital
Para além das invejas e posses
Propriedades, teatros, abutres
Reinos sem qualidade, ajuntamento
De sentires, cheiros de mau pescado
Almoços fartos de mentires
Temperados por obediências cobardes
Deus ! que há muito que não quero
O que por perto ainda gira numa ira
De carrossel desatinado, tonto e tão enfartado
Que morre pedindo emprestada a morte
De outro semelhante ou igual
Teresa Bracinha Vieira
2015
