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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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MARIANA BERNÁRDEZ: “los que escribimos todo el tiempo estamos leyendo”

 

Mariana Bernárdez nasceu na cidade do México em 1964. Poeta e ensaísta cedo se debruça pelas ciências da comunicação colaborando em inúmeras revistas e não descuidando, todavia, uma formação em Filosofia entre outras áreas de investigação. Debruça-se com particular interesse sobre a análise da experiência quotidiana desamparada entre a violência e o fazer face aos meios de comunicação, entre a guerra do individuo com o seu próximo e consigo mesmo numa desesperança inconsolável.

 

Hoje venho propor uma leitura do seu livro de poesia “Escreve-me nos olhos” numa tradução de Nuno Júdice para a Glaciar. Este livro constitui uma edição bilingue e desafia-nos à interpretação das realidades passadas para que se tente saber até onde se entendeu o jogo, na altura e no agora e no onde, e como decifrar a desconexão que nós próprios fomos capazes de viver sem a termos sentido. Confusões também muito próximas do lugar-comum. Exercícios de mando sobre outrem convocando dores que os justifiquem.

 

Devolves-me o mar

diverso daquele que acompanho a infância

viver será só esse alcance?

 

Pergunta Mariana neste poema? E acrescento: pode afinal esta realidade ser apenas como uma notícia da semana passada? e no entanto existiu qualquer coisa que viveu numa suposta limusine de estrelas de afeto ou este, quantas vezes, poderá não ter sido mais do que pedaços de colchão insuflável do nosso coração que oferecemos tantas vezes quantas as necessárias a que o nosso amor se não magoe, tantas que o fizeram dele mesmo desistir.

 

Assim interpretei.

E a poeta acresce

 

Vamos ao contrário

de dentro para fora

porque perguntas o que já sabes?

(…) Escríbeme en los ojos o encuéntrame en sus aguas

 

Teresa Bracinha Vieira

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