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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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DESCENTRALIZAÇÃO E MODERNIZAÇÃO: O AUDITÓRIO MUNICIPAL DE TAROUCA

 

Tivemos já ensejo de referir a relevância histórica, urbana e arquitetónica do Teatro Viriato de Viseu, cuja origem data de 1883, o que atesta uma politica de descentralização cultural, mas que não evitou, note-se bem, o encerramento e desativação durante décadas do edifício, até ter sido recuperado e devidamente restaurado e reinaugurado pela Câmara Municipal cerca de um século decorrido.

 

E também referimos o Teatro Ribeiro Conceição de Lamego: mas trata-se, como aqui se recorda, de uma situação muito diversa da que hoje nos ocupa, pois a fachada data de 1727 e foi construída para albergar o Hospital da Misericórdia. Em 1897 o interior é destruído por um incêndio, e a fachada mantem-se em  ruinas até que se iniciam obras em 1924 para instalação de um cineteatro, inaugurado 5 anos depois.

 

Nada que tenha a ver com o que hoje nos ocupa, tirando a proximidade geocultural…

 

Com efeito, na mesma zona e contrariando assim ainda mais a tendência centralizadora da infraestrutura teatral, descrevemos agora o chamado Auditório Municipal Adácio Pestana de Tarouca. E desde já se salientam dois aspetos: por um lado, a evocação de um nome referencial da arte contemporânea de espetáculo; e por outro lado, a própria renovação e modernização urbana e arquitetónica inerente a um centro cultural.

 

Trata-se efetivamente de um edifício relevante na sua estrutura devidamente programada para a abrangência de público, com lotação de cerca de 200 lugares. Mas mais relevante ainda será a iniciativa e vocação municipal, exemplo assinalável pela arquitetura austera dominada pelo auditório.

 

E relevante será principalmente, a evocação da obra e da memória de Adácio Pestana (1925 – 2004), que tivemos o gosto de conhecer, ambos professores do Conservatório Nacional – Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, função que Adácio exerceu com grande qualidade até à sua morte. A Escola funcionou de facto durante muitos anos junto do Conservatório Nacional, e Adácio integrava o corpo docente.

 

Não é este, bem sabemos, caso isolado de consagração de uma individualidade contemporânea na designação de um teatro. Mas aqui, destaca-se a própria abrangência e consagração de uma personalidade cuja memória dessa forma ainda mais se conserva.

 

DUARTE IVO CRUZ  

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