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O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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OS TEATROS DE ALMADA – EVOCAÇÃO DE MANUEL GRAÇA DIAS

 

 

Em texto recente, assinalámos a recuperação do Teatro Luís de Camões, hoje modernizado e designado Teatro LU.CA de Lisboa, segundo projeto e orientação dos arquitetos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira.

 

E entretanto assinalou-se a morte de Manuel Graça Dias, ocorrida em 24 de março último.

 

O artigo constitui assim como uma homenagem a este grande arquiteto, que tão qualificadamente projetou e acompanhou a realização de diversas salas de espetáculo e demais edifícios de função artística e cultural.

Mas já referimos também outros edifícios de teatro e de cultura construídos segundo projeto de Manuel Graça Dias.

 

Além do Teatro LU.CA, analisamos aqui o Teatro Azul de Almada, inaugurado na temporada de 2005/6, notável na sua estrutura complexa, pela qualidade arquitetónica, pela modernidade mas também pela atividade artística que desde logo o marcou.

 

Tal como marcou, inclusive na denominação, o revestimento em mosaico cerâmico, de cor obviamente azul, o qual deu leveza ao edifício situado numa rua estreita e desnivelada, o que não facilita a atividade e até a implantação de uma sala de espetáculos.

 

 Na descrição que aqui fizemos, e que agora em parte retomamos  e desenvolvemos, realçou-se essa topografia desnivelada, a qual enquadra uma empena curva e cega até à cobertura, numa espécie de triângulo abaulado, que se prolonga até ao telhado.

 

Estes Teatros são pois projeto arquitetónico de Manuel Graça Dias, que aqui se evoca.

 

Mas em Almada a tradição de espetáculos e edifícios de espetáculo não fica por aqui. Vale a pena referir designadamente o Forum de Espetáculos que a Câmara Municipal denominou  Forum Romeu Correia, projeto do arquiteto João Lucas da Silva, situado próximo do Teatro Azul.

 

E sem confundir ainda mais a análise dramatúrgica com a infraestrutura de espetáculo que obviamente lhe é estruturante, refira-se que esta homenagem a Romeu Correia é muito justa tanto no aspeto da dramaturgia em si, como nas raízes locais que expressa ou implicitamente se fazem sentir. E como noutro lado escrevemos, muitas peças são específicas da sua terra tanto num realismo nem sempre ortodoxo como em evocações e reconstituições de teatro popular, ou até de evocações históricas localizadas. (cfr. as referências que fizemos a Romeu Correia no subcapítulo “A Exceção de Romeu Correia” in “História do Teatro Português” – ed. Verbo 2001 e no subcapítulo “Almada – Um Teatro Azul” in “Teatros em Portugal – Espaços e Arquitetura” ed. Mediatexto 2008). 

 

E se quisermos completar a referência a esta rede de instituições e salas tradicionais de Almada, poderemos citar a Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, que foi fundada a 1 de outubro de 1848!…

 

DUARTE IVO CRUZ

2 comentários sobre “OS TEATROS DE ALMADA – EVOCAÇÃO DE MANUEL GRAÇA DIAS

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