Depois de um fim, ou até antes dele, inicia-se um retorno, um outro princípio que pode ainda nem sequer ter começado, mas talvez, por entre tudo isto, se esteja a viver a cena do nosso tempo.
O desfecho cruel que se noticia com pesada frequência gera uma tremenda ansiedade que se vai tornando cada vez mais presente, ou não quisessem que vivêssemos em extremos constantes, como se não conhecêssemos as funções do aplainar, fase crucial em todos os momentos da História sempre que se deseja resguardar a qualidade do futuro.
Enfim, querem-nos na época que antecede os colapsos, no tempo do medo, do cerco e do desamparo.
Na verdade, esquecem que os desfechos até são muito mais do que uma conclusão terminativa.
Os desfechos ajudam a compreender os acontecimentos e reforçam o entendimento do principal, revelando a consequência dos erros, estabelecendo novos equilíbrios e gerando novas reflexões.
Os desfechos com os quais nos querem condenar também têm o poder de inúmeras revelações inesperadas, revelações que permitem a reinterpretação dos factos, o conhecimento dos novos e a criação de jovens rumos conexos aos passados e aos presentes que tenham constituído e que ainda constituam um propósito maior.
E nós, a partir daí.
Nós, a partir da compreensão do quanto o medo corta os laços e a angústia nos faz sentir perante qualquer realidade sem forma, perante uma medonha estranheza.
E nós, perante uma época de desfecho que assim nos chega a Casa sem que nos sintamos possuídos de um burnout coletivo, antes e sempre inseparáveis e presentes ao chamamento das nossas consciências, condição de existência da própria humanidade.
Teresa Bracinha Vieira
Obrigada Sra Dra Teresa Bracinha Vieira!
Perante a perseverança da sua crónica, a mim, ocorre-me lembrar o final dos Maias de Eça, com Carlos da Maia e João da Ega a correr:
“Ainda o apanhamos…ainda o apanhamos!”
No caso deles, o americano (eléctrico da época), no nosso caso, a Humanidade!