auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO


LXXI – UMA SÍNTESE EVOLUTIVA (IV)


Na afirmação das ciências e tecnologias que se exprimem e pensam em português, será o Brasil, pelo seu potencial e dimensão, o presumível e futuro líder natural. O que não exclui que Portugal e demais países lusófonos não tenham um papel de relevo. No caso português, desde logo face às suas responsabilidades históricas e posição geográfica em relação aos restantes Estados e comunidades lusófonas, e do seu enquadramento na União Europeia. 


É evidente que a expansão da língua portuguesa no mundo surgirá tanto mais naturalmente quanto mais ciência, tecnologia e arte se fizer em português, o mesmo sucedendo com a economia e a cultura no seu todo. Serão fatores essenciais para que falantes de outros idiomas precisem e queiram falar em português. 


Uma ideia ou visão estratégica não surge por efeito de uma lei ou de um decreto, antes se assume de modo evidente, intuitivo e notório quando aceite e partilhada pelas elites e população em geral. Evidentemente que com contribuições políticas, económicas, de escritores, poetas, filósofos, cantores, músicos, cineastas, sociólogos, cientistas, técnicos, juristas, homens de ação e de aventura, místicos, desportistas, entre outros.


Porém, e no que toca ao português, a sua expansão será tanto maior e mais eficaz quando os países lusófonos e integrantes da CPLP se afirmarem e ganharem maior visibilidade e poder nas relações internacionais. 


Foi este entendimento que motivou o aparecimento de realidades económico-políticas sob o pretexto de pertença a uma comunidade linguística, tendo presente o valor económico e de influência que um idioma comum tem, em que um bloco linguístico, cultural e económico pode gerar um efeito multiplicador.   


A língua portuguesa, como idioma de comunicação global falada por países com potencial económico reconhecidamente elevado, por desenvolver ou em desenvolvimento, impõe uma política linguística apetecivelmente aceite por um bloco lusófono, em sintonia com uma política de língua para não falantes de português como idioma materno que ultrapasse o seu núcleo central e espaço geolinguístico.    

 

29.01.2021
Joaquim Miguel de Morgado Patrício

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *