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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A Vida dos Livros

A VIDA DOS LIVROS

de 14 a 20 de dezembro de 2020

“Uma História da Leitura” de Alberto Manguel (Tinta da China, 2020) fala-nos do prazer da leitura e da relação que se estabelece entre leitores e livros, ultrapassando as barreiras do tempo e do espaço e permitindo o que Quevedo designou ‘conversas com os mortos’…

BIBLIOTECA VIRTUOSA
“Uma biblioteca antes de o leitor exercer uma escolha é como o caldo primordial de átomos do qual toda a vida emergiu. Está tudo ao alcance de uma pergunta: cada ideia, cada metáfora, cada história, a identidade de cada leitor individual. As escolhas que faço numa biblioteca, a seleção de livros que mais prezo, denunciam não só a minha visão do Paraíso, mas também a minha identidade. A verdade é que sempre senti que a minha experiência do quotidiano, assim como uma certa compreensão dessa experiência, me chega através das minhas leituras. Em criança aprendi sobre o amor lendo histórias d’As Mil e Uma Noites, sobre a morte com os policiais, sobre o mar com Stevenson, sobre a selva com Kipling, sobre a possibilidade de aventuras extraordinárias com Júlio Verne. A experiência tangível chegou, na maioria dos casos, muito mais tarde, mas quando chegou eu tinha palavras para a nomear”. Alberto Manguel recorda-nos, assim, algo que é familiar para quem gosta de livros e de bibliotecas. As coisas passam-se normalmente desta maneira. Começa-se a amar os livros como objetos. Entusiasmamo-nos com as suas capas, com as suas encadernações, depois chegamos às imagens que os ilustram e à curiosidade de perceber o que significam, nesse sentido os Dicionários e as Enciclopédias ilustradas constituem lugares extraordinários, porque as ilustrações e os sentidos estão por definição próximos, em seguida entusiasmamo-nos pelas capitulares, até às narrativas e ao seu fantástico desenvolvimento. Não por acaso, as capitulares ricamente decoradas enchiam os mais antigos códices e a última edição do livro de Manguel tem na capa uma capitular, um L, como não poderia deixar de ser… A paixão da leitura constitui um processo complexo, como acontece na História da Humanidade, tudo começa pela oralidade, ainda antes de nascermos, quando ouvimos a voz da nossa mãe, primeiro conversando connosco ou entoando uma melodia, depois contando uma história muito simples, sobre o tempo em que os animais falavam, e a pouco e pouco vamos entendendo o mundo através dessa voz, dessas narrativas, desses poemas. Para mim, os livros de ilustrações não foram o princípio, mas depressa entendi a sua extraordinária importância e por ainda hoje me deixo fascinar pelas histórias de quadradinhos. Se comecei a amar os livros como objetos, foi porque nasci rodeado de livros muito sérios, enchendo paredes até ao teto, que fui descobrindo como caixas de surpresas muito ordenadas… Era muito difícil chegar as livros mais altos, mas felizmente o que se designa como obras de referência estão sempre à mão, que o mesmo é dizer nas prateleiras de baixo.

VINTE ANOS DEPOIS
Alberto Manguel regressou a este seu livro vinte anos depois (como o tempo que Alexandre Dumas escolheu para reencontrar os mosqueteiros), e sentimos que a atualidade está plenamente viva. E lembra-nos o tempo em que pôde ser leitor para alguém que estava a perder a visão, como Jorge Luís Borges, e esses diálogos são demonstrações de como a leitura é a descoberta do mundo. Umberto Eco disse, por isso, que podemos viver pelo menos cinco mil anos, lendo, porque esse é o tempo da história da nossa civilização… Essa é a demonstração de como ler é cumprir o que Quevedo afirmou, fazendo da memória algo presente – como algo de sublime. Desde a sabedoria de Salomão até aos contos de Borges, estamos, afinal, a antecipar o encontro com Dante na antecâmara do Paraíso. No fundo, aprender a ler é entrar plenamente no mundo da vida. “A criança que aprende a ler é admitida na memória comum por via dos livros e descobre, assim, um passado partilhado que ele ou ela renova, em maior ou menor grau, a cada leitura». Lembro bem o momento em que minha mãe me ajudou a decifrar as primeiras páginas da “Cartilha Maternal” – e não esqueço os tempos exaltantes em que ajudei os meus filhos e os meus netos na aprendizagem fundamental da leitura. E só um poeta talentoso como João de Deus poderia ter criado um sistema tão atraente, eficaz e duradouro… É certo que todos os métodos são bons desde que os seus resultados sejam positivos, mas ficamos para sempre ligados ao que seguimos. Afonso X, o Sábio, escritor maior da nossa língua, disse um dia: “Bem e lealmente devem os professores mostrar o seu saber aos discípulos, lendo-lhes livros e fazendo-os compreendê-los o melhor que forem capazes…” E acrescentava o carácter insubstituível dessa relação, pessoal e íntima. “Uma História da Leitura” é um percurso multifacetado com mil circunstâncias e exemplos sobre o prazer da leitura. E se digo prazer é porque essa relação tem de ser cultivada. Não escolhi nascer na biblioteca de meu avô, professor de profissão entre outros ofícios. Concedo que tive condições especiais para essa paixão.


Guilherme d’Oliveira Martins

Oiça aqui as minhas sugestões – Ensaio Geral, Rádio Renascença

4 comentários sobre “A VIDA DOS LIVROS

  1. Ex.mo Senhor Guilherme d´Oliveira Martins

    Vou facultar algo de muito interesse para a nossa cultura, já facultei esta informação a dois organismos do Exercito Português e à Fundação da casa de Bragança. Neste registo que lhe deixo, a casa de Bragança tem determinado sobrenome dessa casa, que não vem espelhada aqui, vem sim com EBERHARD I Filius hæreditatis (rei da Germaniae), dentro da casa da Baviera. A casa de Bragança que deu acesso ao Reino de França, a casa da Saxoniae deu acesso ao reino de Espanha e depois Portugal.

    Comiti Brigantiæ , fundatori Albae Augix Brigantinæ,ac filio unigenito Vlrici II.Comiti&Gamartingenfis,& Brigantini, qui fucceffit Hugoni fine liberis mortuoT: Ac deindè Sigcfrido II. Vlricus I V. genuit Rudolphum Comitem â Pfullendorff & Brigantia, Rudolphus verò faâus ina• ritus Wulffildis, Henrici Nigri VVelphonis Bavariæ Ducis filiæ

    A verdade acima de tudo, Bragança veio de Limburg com ADN Rb1 U152

    Mas alguns iluminados portugueses querem vender o seu peixe, dizendo que miguel de bourbon e duartes pios de bourbon e orleans, são provenientes de alguma coisa. Essa gente teve o seu tempo, mas vejo sites a publicitar a mentira e ninguém faz nada, ou querem acreditar na mentira ou fazem parte dela.

    Se a República que os senhores representam fizesse a sua função de procurar pela verdade, hoje essa gentalha nem se atreveriam dizer se herdeiros de alguma coisa, quando sei que muitos deputados e antigos presidentes da republica tem uma certa ligação de amizade e de interesse institucional com os supostos herdeiros de Bragança, quando o pano cair ai é que vamos ver os interesses, de títulos e posição que obtiveram de pessoas, que não tem uma gota de sangue de um Rei Português por Limburg.

    Rudolph IV. Comitis de Habsburg huju nominis I. Romanorum Imperatoris resge/iae, conjuges, & liberi.
    Rudolph’. I. Romanorum Imperator primam lucem afpexit A. I218. Calendis Maii, & quidem in gentilitio fuo Caftro Limburg , quod in Brisgoia fitum (a) Nonnulli exclufo verne a o Iv. filium var ws r 1 III. fáciunt ALBERtvM II. nos in hoc Murenfia aéta, aliosque plures fecuti fumus. est N p A loci A, AUGUSTAE DoMUS HABSBURGO – LOTHARINGICÆ. Tab. V. ad pag. 5o

    Como é possível pessoas que foram tão importantes em Portugal com cargos da maior importância, terem uma atitude de amizade e tratarem outros por Dom e quando ninguém e nenhum Rei lhes deu o titulo, nem posição de superioridade, pelo contrario expulsaram nos do Reino de Portugal. Outros foram presidentes de todos os Portugueses, tão é triste ao ponto que se chegou de dar tanta importância a um turco de Sangue ADN R-Z381*

    E depois admiram se ver nas eleições presidenciais uma abstenção histórica de 50% da população portuguesa não votar e quando chegarmos aos 70% eu vou querer de volta o meu lugar, porque terei toda a legitimidade da vossa Republica que as pessoas não acreditam no vosso sistema.

    Este é meu mote, a abstenção na eleição presidencial tem que chegar aos 70%, só nesta altura terei o meu lugar de volta, sem existir golpes de estado como fizeram na monarquia, tudo será realizado pacificamente. Porque nós portugueses, somos pacíficos por natureza

    João Felgar

  2. Agora o registo da genealogia da casa de Brigantiae da casa de Habsburg, e a verdade virá ao de cima.

    1 WAlrHErvs, comes de Bregantia, inter comites Sueuiaein peruetuftis Annalibus commemoratur, qui Carolo Martello Francorum maiori domus, Pipinimagni patrirefiftebant.
    2. BR1co, vel Bericho, anno Domini 730 fub Pipinoregefuit epifcopus Auguftanus:ad quem Bonifacius Anglus Germaniæ Apoftolus venit.
    3. V1c 1l1 v s,comes Brigantinus,& Rhætiæ altæ præfes. · ·
    4. PAvLvs,comes Brigantinus. . a.
    5 PAscaLI s,inepifcopum Curienfem ele&us, ex coniuge quadam Efopeia Visorem fufcepit,epifcopum pariter Curienfeth : qui Caccienfe coenobium in Rhætiaalta pro Canoniffis virginibus fundauerat, anno 760. Cuius forores,Vefpilia abbatiffam egit ‘ \ Caccienfiscoenobii, Vrficinaverò monialem.
    6. ADAlBERT v s,vulgò excognomine comes de Rotenfan. ,
    7 . ANs HELMvs, Roderici comitis & Palatini Rhætiæ altæ, à Ludouico fecundo 1 ppulfi, frater germanus: cuius alii germani, Henricus comesin Vucrdcnberg, & Rolandus in Herrenbergac Tubingen,extiterant.
    8 HvNIFR1D v s,comes Bregantiae,circaannum Salutis 840.
    9 AdALBER rvs, Vgalricula & Hennam filiamreliquit.
    10. VDALR1c V s, ex filia comitis Vualtherialterum Vdalricumtulit.
    11 VDALR1 cv s hoc nomine fecundus,Ioannem progenuit. ,
    12. IoANNE s,ex regina Francig circaannum Domini 930, Vdalricum tertium progenuit.
    13 ; VALRI cv s hoc nominc in ftemmate tertius, Ethonem & Hugonem procreauit.
    14 ErHo, ex domina Dietburgi Gebehardum praefulem Conftantienfe mtulit, authorem ccenobii Peter shufenin fuburbio Conftantiæ, & ecclefiae collegiatæ in oppido Zyrzach: quiinnumerum fanétorum à Romanis pontificibus relatus fuit. Floruit circa annum 988
    15 HvGo , Ethonis fratergermanus,Vdalricitertii quoque filius,Luitfridum procreauit.
    16 Lv1r FR1D vs Marquardum comitem procreauit, & Adelhaidem nuptam Hartmanno comiti Dillingenfi,cui pro dotc Wyntherthur & Kiburgenfem comitatum attulitnam antea Brigantinorum comitum isfuerat vnde proccfferunt Adalbertuscomesin Achalm,Vdalricus comes in Gamartingen, Hartmannus comesâ Kiburg,&Vdaloricus epifcopusConftantiæ. .
    17 I.MARQvARD v s, Luitfridi filius,Albertum progenuit. .. :
    18. AlBERΤV s, Marquardi filius, occubuit in Apulia, & Hugonem reliquit.
    19 HvGo, Hugonis filius,fub Henrico tertio floruit. Quo tempore ciues Lindouiae continuainundatione lacus affliéti,liberantes fcè poteftate comitis4..marcisargenti, reJiisaedibus ininfulam Lyndouienfem fereceperunt, vbi monafterium fuerat Canonif. fàrum liberarum,ab Adalberto comiteâ Buchorn naufragium euadente cóftru&um. Cui aediculas coniungentes, affluentibusexlocis aliis compluribus, breui oppidum effecere, quodhodie Imperialeeft,& Lyndouia dicitur. Aliiautumant, Lyndouienfis ciuitatis fuiffé occafionem,quòd cum compreffiffet nobilemâ Bodincn, fugiens iram patris, Lyndouienfes accepta pecunia exemiffet, anno 1166.
    20. VDALR1 cv s fecundus, Vdalrici comiti sà Gamartin genfilius, Hugoni finc mafcula prole extincto,vt proximus genere fucccditin comitatu Brigantino.
    21 VDALRI cv s tertius,fuperioris filius,excomitiffa de Rhynfelden progenuit Vdalricum quartum,comitem Bregantiæ:& Rudolphum comitem de Pfulendorf, authorem coenobiiAvu fupra Brigantiam:hoceft,qui duéta vltimi comitisâ Pfulendorf & Sigmarigen,nata ,fa&us &adoptatus fucratcomcs illo1umlocorum. Quorum foror comiti à Pfyrd nupfit. ,
    22. VDALRI cv s quartus hoc nomine,tertii Vdalrici filius, ex comitiffa de Kalvu Hugoné fecundum & Rudolphum tertium progenuit. Quorú Hugo ex Veronica de Furftenberg Rudolphum quartum progenuit,cui comitiffaä Pfyrd coniunétafuerat.
    23 RvDoLPH v s tertius,ex Wulfhilde Henrici ducis Bauariæ & comitis ab Altorf filia multos liberos progenuit: videlicet Hugonem tertium, qui Tubingenfem palatina. tum fortitusfuerat, vnde Tubingenfes comites reétè defcendere dignofcuntur:&Rudolphum quintum.

    E o brasão da casa de Bragança, é outro, não é o que publicitam na causa da monarquia, é outro e vai ser esse do ano 1100, com outra história é preciso respeitar a tradição heráldica

    João Felgar

      1. Por relembrar a história, por mostrar a verdade em latim, não há paciência !!

        Tudo o que se fez no passado é cultura, as melodias, a evolução da escrita, as genealogias, é cultura, aprenda alguma coisa Senhora Rosário, aprenda a conhecer a nossa cultura, a forma como falávamos no passado e hoje temos outra conversa, antigamente existiam trajes e hoje criam se calças para as Senhoras e saías para os Homens a tradição Escocesa e mantem de Edinburgh.

        Portanto temos realidades para conhecer, veja a sua vida de outra maneira, e aprenda a respeitar a cultura portuguesa

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