E, contudo, os oceanos vistos do céu ainda nos dizem que o sol vai voltar.
Há quase a certeza de que a vida na Terra começou nos oceanos sob a forma de micróbios que viviam a vários quilómetros abaixo da superfície.
A evolução para uma estrutural complexidade celular levou milhões de anos, mas pode-se afirmar que todos os que habitamos a Terra, somos descendentes, em última instância, de animais marinhos.
Tudo devemos ao oceano.
Quem apenas praticou o mergulho em apneia ou fez snorkeling, certamente, maravilhou-se com a vida marinha e com aquela extrema variedade de vida que faz pressentir de imediato o quanto todo aquele mundo possui uma diversidade muito maior do que a que existe em terra.
É notável e ímpar o que nos provoca o captar encantatório daquele mundo natural.
Pobre o meu contributo que apenas no relato daquelas breves viagens procurava dizer do pouco ou nada saber do que via e o quanto me criava uma emoção inexplicável, imaginar o que existiria em mares praticamente inexplorados.
Soube que nas populações de peixes, o tamanho conta e que na sua maioria, os chamados peixes de águas abertas crescem durante toda a sua vida, o que quer dizer que se eliminarmos todos os peixes acima de um certo tamanho, eliminamos os reprodutores e rapidamente as populações desaparecem.
Tragicamente, inventámos muralhas de redes, algumas que se afundam e roçam o fundo marinho ao longo de quilómetros e capturam de uma só vez toneladas de peixes. Como consequência, muitas das nossas águas costeiras sofrem com a sobrepesca. Já começamos a ter mesmo dificuldade em apanhar algo comestível.
A nossa irresponsabilidade não tem tamanho.
Não nos apercebemos que há menos peixe no mar, devido à «síndrome da referência em mudança» que nos explica a realidade que envolve cada geração que define o normal segundo aquilo com que se depara, sem que saiba como era outrora essa população.
E digo que visitar um recife de coral é um encontro magnífico, flutuamos acima de tudo maravilhados e soltos da gravidade como se do ar víssemos um mundo. E vemos, de facto um imenso mundo!
Hoje, já todos ouvimos falar dos corais branqueados, mas quantos os entenderam como a fala de que a Terra estava a ficar profundamente desequilibrada pela capacidade que temos tido de exterminar criaturas vivas em larga escala.
Agora, imagine-se o quanto a alteração da temperatura e o consequente aquecimento do oceano – o maior habitat de todos -, pode equivaler ao desmantelar de todo o ecossistema e ao desaparecimento de todas as espécies marinhas.
Como bem se sabe, as guerras não terminam quando os disparos cessam. As catástrofes ecológicas resultantes dos seus rastos de brutais compostos químicos destroem habitats, devastam solos, ar e águas, perpetuando os ciclos de pobreza e deixando como legado a perda da biodiversidade.
A insegurança alimentar das gerações futuras fica igualmente comprometida.
E, contudo, os oceanos vistos do céu ainda nos dizem que o sol vai voltar.
Teresa Bracinha Vieira