Juízo Final – Capela Sistina
256. O HUMANO, O HUMANITARISMO E O POLÍTICO
No humanismo há a prioridade do ser humano, sendo este a medida de todas as coisas. No humanitarismo amar o próximo é uma obrigação moral que se manifesta através de causas e instituições humanitárias.
Em ambos é fundamental a dignidade da pessoa humana, apelando à criação de mecanismos de tutela dos direitos humanos que operem acima dos Estados e da política, obrigando a comunidade internacional a um compromisso efetivo como guardiã do respeito por essa dignitas.
Sendo todas as pessoas iguais em dignidade, umas não podem ser mais dignas ou indignas que outras, esmagando-se o plano pessoal e individual e transformando o outro em inimigo por razões étnicas, ideológicas, políticas ou religiosas.
Inexiste, nesta perspetiva, qualquer relação entre ser de direita, do centro ou de esquerda, e a nossa capacidade de amor para com o outro, porque amar o próximo, em estado de necessidade, é um dever moral, sem hierarquias, subscrito por quase todos, independentemente das suas crenças.
O “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” faz a separação e deseja ultrapassar o conflito, o que não é fácil, sendo mais premente em situações de causas humanitárias em que é inadmissível que alguém não exteriorize empatia, compreensão e solidariedade, por exemplo, para com vítimas de atos de terrorismo, porque os responsáveis pelo seu sofrimento e as razões para estarem em necessidade não são as nossas ou da nossa cor ideológica ou política.
As vítimas de terrorismo nos Estados Unidos da América, Europa, Médio Oriente, China, Rússia, Ucrânia, Mali, Sudão, Austrália, ou em qualquer lugar do planeta, têm sempre a mesma dignidade em termos humanos e humanitários, o mesmo não sucedendo quando há uma intervenção filantrópica ou humanitária politizada, por maioria de razão se há um ativismo extremista ou anticientífico altamente politizado.
A dignidade da pessoa humana e a ajuda humanitária devem estar o mais distante possível do que é político, para não dar azo à alienação de que há vítimas que “estavam a jeito” ou “a pedi-lo”, apenas porque oriundas de países cujas políticas não aprovamos, tornando-nos seres humanos que se rebelam politicamente, e não apologistas da bondade de tratar o outro como se fosse a si mesmos.
17.04.26
Joaquim M. M. Patrício