107. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CANCELAMENTO (RUSSOFOBIA) CULTURAL
Cancelar da cultura mundial Dostoiévsky, Tolstoi, Pushkin, Pasternak, Tchekhov, Tchaikovsky, Stravinsky, Kandinsky, Mussorgsky, Rachmaninov, Chostakovitch, Tarkovsky, Anna Pavlova, entre outros, por um sentimento de aversão ou ódio à Rússia, seu país natal, após a agressão e invasão russa na Ucrânia, é censurável, por maioria de razão em países democráticos que fazem culto e consagram a liberdade de expressão, incluindo a de informação e de pensamento.
Pela arte, literatura, música, dança, pelo cinema, pela cultura em geral, a Rússia é património cultural da humanidade, produziu e continua a produzir, a nível artístico, cinematográfico, literário e científico, nomes intemporais que a Europa também reconhece como seus, e se universalizaram, sendo parte integrante da alma russa e do génio humano.
Não faz sentido cancelar a cultura russa, mesmo havendo uma condenação intransigente da invasão da Ucrânia, como notícias vindas de Zagreb revelando que a orquestra filarmónica cancelou dois concertos de Tchaikovsky, ou da MET, companhia de ópera de Nova Yorque, ao excluir uma soprano e um maestro russos, ou a interdição da literatura de Dostoiévski numa universidade italiana, o que não ajuda a amenizar o sofrimento das vítimas ucranianas, sendo um contra senso condenar o governo russo por limitar ou boicotar a liberdade de expressão e o ocidente agir do mesmo modo quanto à cultura russa.
Defendemos que uma obra cultural (uma obra de arte em geral) vale por si, independentemente das opções políticas, ou outras, de cada um ou do autor, fazendo a separação entre a obra em si ou ao serviço de qualquer coisa, sobrepondo-se às contingências pessoais por que passou ou passa o seu autor, sendo transcontextuais, transversais, transnacionais, transcontemporâneas, isentas de culpas.
Não há que confundir a Arte e a Cultura Russa com as opções políticas atuais dos seus governantes, dada a sua intemporalidade, antecipando-se, antepondo-se ou sobrepondo-se para além de quem tem o poder.
Faz sentido que deixe de ler ou exclua da minha biblioteca obras como Guerra e Paz, de Tolstoi, Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski?
Que deixe de se ouvir e ver O Lago dos Cisnes ou O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky?
Não se ouça Rachmaninov, Stravinsky, ou não se contemplem as pinturas de Kandinsky?
Não faz, nem faria, nem atenua o sofrimento dos ucranianos, antes é uma arma de arremesso que, por um lado, não dignifica sociedades que se dizem livres e têm por base a liberdade de expressão e, por outro, quando fazem uso de tais cancelamentos culturais dão argumentos ao culto da russofobia e a que se fortaleça o regime russo e a sua propaganda direcionada para criar entre os russos uma sensação de injustiça e de o ocidente estar contra eles, mesmo que a democracia em que vivemos, cheia de falhas, seja a melhor alternativa (por confronto com propostas autocratas, ditatoriais, totalitárias ou similares).
27.05.22
Joaquim Miguel de Morgado Patrício
Eu não vou cancelar nada; vou continuar a ouvir os favoritos Tchaikovski, Rachmaninoff e Rimski Korsakov e vou comprar brevemente os Diários do Escritor do meu amado Dostoievski, recentemente editados.Não nos podemos deixar invadir pela loucura de uns poucos. Haja bom senso!
Eu vou concordar com Anónimo, haja bom senso.
Não vou deixar de gostar da Cultura Russa, vou continuar apoiar a Rússia e a China, apesarem de serem de ideologias diferentes da minha, completamente opostas, sou pela Monarquia Tradicional, mas respeito a Rússia e a China.
Os EUA, UE,NATO, andam a prevaricar desde 2009, a venda de Armamento à Ucrânia. A Rússia anda há muito tempo avisar todas as nações, e é preciso entender qual é a Filosofia dos Líderes Russos, e os nossos Políticos não tem inteligência Suficiente, não tem.
Já perdemos muito só com as ações irrefletidas do Sr. Ministro que andam a brincar com Super Potência Nuclear, mas o Sr. Costa e Sr. Cravinho, devem ter armamento bélico de armas Nucleares, devem ter, com um excesso de confiança que esta gente tem. Se o Sr. Putin nos envia umas tantas bombas Nucleares, que enviem para Lisboa, para o resto do Portugal, somos Inocentes caros Senhores.
Nós já perdemos a nossa fonte de alimentação da Europa e dos EUA, que é a Rússia e a Ucrania, Portugal perdeu recentemente da India outra parcela, um certo Ministro deve ter ligações importantes à India, mas não foi suficiente. O gás que vem da Argélia e de Africa, o dono dessa tubagens de transporte é Russo.
Continuem Sr. Políticos Portugueses, continuem a prevaricar uma Potência Nuclear. Eu só quero entender, se nós não temos estrutura militar para o nosso Portugal, vamos nós custear guerras noutros lados, sem que nós Portugueses não tenhamos parte de nada.
Falam em crimes de guerra, hoje os nossos Jornalistas, que são o maior grosso parciais, por isso nem os ouço, como dezenas de milhares de outras pessoas, deixaram de confiar nas informações portuguesas.
E as guerras que os EUA, criaram artificialmente durante estas décadas de guerras, com invenções nucleares e outros, tudo mentira, e milhões de crianças mortas, com deficiência motora e não vejo um Jornalista Português a mencionar isto !!
E o Genocídio que os EUA, fizeram aos Índios Americanos, ninguém fala nisto, Porquê ? não tem expressão ?
Eu sou pela Verdade, pela Monarquia Tradicional, pela Cultura
João Felgar
Bom senso precisa-se, sem dúvida.
Agradecemos os comentários. Continuação de boas leituras.