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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


252. PODEM TIRAR-NOS TUDO, NÃO O QUE APRENDEMOS E SABEMOS

Habitamos tempos assinalados pela incerteza.   

Tudo aparenta mover-se depressa demais: a tecnologia, o trabalho, a família, o clima, as formas e os meios de comunicar, a conquista e a descoberta espacial.       

O ritmo a que ocorrem as mudanças é tão intenso que se torna oneroso perceber o que permanece.         

Tudo parece ser posto em causa: é como se o solo estivesse em perpétuo deslocamento sob os nossos pés.   

Ainda assim, algo existe que resiste silenciosamente a essa insegurança: o que aprendemos.

Mesmo assim, algo há que resiste em silêncio a essa instabilidade: o que sabemos.       

Podem tirar-nos tudo, mas não aquilo que aprendemos e sabemos. 

O conhecimento é um antídoto contra a indeterminação.     

Saber é ter poder.     

Conhecimento e saber são antídotos contra a ignorância.   

Não são resposta para tudo. Ter explicação para tudo é não ceder ao mistério da existência. É altivez, arrogância, vaidade, ser incapaz de aceitar a nossa pequenez e não termos a compreensão de não sermos a medida de todas as coisas.     

É um processo dinâmico, contínuo, permanente, de aprendizagem e conhecimento, que desagua no ato de aprender e de saber, sendo pessoal, intransmissível, indisponível, inalienável e permanente (só se extingue com a morte, pelo que conhecemos e sabemos em termos de racionalidade humana).       

É parte intrínseca do ato de pensar, onde não há machado que ampute a raiz ao pensamento, porque totalmente livre, incontido e indomável, como o ar e o vento.   


20.03.26
Joaquim M. M. Patrício

4 comentários sobre “CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  1. “Não há machado que corte
    A raiz ao pensamento:
    Não há morte para o vento,
    Não há morte.
    Se ao morrer o coração
    Morresse a luz que lhe é querida,
    Sem razão seria a vida,
    Sem razão.
    Nada apaga a luz que vive
    Num amor, num pensamento,
    Porque é livre como o vento
    Porque é livre.”
    Livre | Carlos de Oliveira

  2. É verdade! Num mundo onde tudo muda tão depressa, é reconfortante pensar que o que aprendemos fica connosco. A ideia de que o conhecimento é algo verdadeiramente nosso, que ninguém nos pode tirar, é simples mas poderosa. Um texto que transmite calma no meio da incerteza e nos lembra o valor de continuar sempre a aprender.
    S

    1. Muito grato e sensibilizado pela atenção, compreensão e sufrágio do texto.
      Continuação de boas leituras são os melhores desejos.

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