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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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DE AMOR PALPITA O CORAÇÃO NO MUNDO…

Minha Princesa de mim:

Manhã linda, de claro sol e azul celeste! Quedei-me à janela, esquecido de mim, na ronda das andorinhas… Trouxeram-me à lembrança o nosso Alberto, em domingo de graça e paz, cantando, no terraço aberto sobre o jardim, um fado de Coimbra:

     Porque os meus olhos se apartam
     dos teus, não lhes queiras mal:
     as andorinhas que partem
     voltam ao mesmo beiral!
     E hei-de voltar um dia,
     eu sou como as andorinhas,
     se as tuas saudades forem
     bater à porta das minhas!


Este lirismo tão português tem, para um nórdico como eu, algo essencialmente religioso, como uma conversão, movimento perpétuo. A saudade, como a vida, é um regresso, rota astral da fidelidade.  O coração dos homens pode ser infinito, talvez por isso Deus o escolha para habitação. Estive a reler, durante a noite, passos de Das Wesen des Christentums de Ludwig von Feuerbach. E ao pensarsentir, nesta manhã serena, forte e clara, o íntimo movimento do mundo (e repetindo, como canta Alfredo à Traviata: vissi d´ignoto amor, di quell´amor ch´è palpito dell´universo intero…), ocorreu-me esse trecho tão profundo de A Essência do Cristianismo: «A essência secreta da religião é a identidade da essência divina e da essência humana – mas a forma da religião, ou a sua essência manifesta e consciente é a diferença. Deus é a essência humana, mas é sabido como uma essência diferente. O amor é o que revela o fundamento, a essência oculta da religião, mas a fé o que constitui a sua forma consciente. O amor identifica o homem com Deus, Deus com o homem e, por isso, o homem com o homem; a fé separa Deus do homem e, por isso, o homem do homem; Deus não é senão o místico conceito genérico da Humanidade, por isso a separação entre Deus e o homem é a separação entre o homem e o homem, a dissolução do vínculo comunitário. Pela fé, a religião entra em contradição com a eticidade, com a razão, com o sentido simples e humano da verdade; mas, pelo amor, ela volta a opor-se a esta contradição. A fé isola Deus, faz dele um ser particular diferente, o amor universaliza, faz de Deus um ser comum, cujo amor coincide com o amor pelo homem…   …O amor tem Deus em si, a fé fora de si…». Assim encontro, num pensador germânico que também disse que o mesmo amor é ateu por negar um Deus que seja propriedade particular e oposto ao homem, um eco poderoso de S. Paulo, quando este afirma que, das três virtudes teologais só o amor é eterno. (Aliás, essas virtudes, para Feuerbach são só duas: a fé e o amor, posto que a esperança é a fé que se refere ao futuro. A fé e o amor opõem-se, segundo ele, até nos seus sinais exteriores: os sacramentos do batismo, que vincula a um Deus particular, e o da eucaristia, ceia ou comunhão, que é a partilha do pão, do amor). Fosse Ludwig Ritter von Feuerbach ateu (e Engels o apregoou e dele assim se serviu), encontro nele, repito, uma poderosa e profunda intuição da nossa religião a Deus. Apenas direi que a minha fé habita essa contemplação do amor presente no infinito mistério do mundo. Dou-te uma mão cheia de estrelas que as andorinhas trouxeram. De onde?

 

Camilo Maria 

 

Camilo Martins de Oliveira

 

N.B. Desta vez, não traduzi do alemão passos da carta do marquês de Sarolea. As citações de Feuerbach estão traduzidas pela Prof. Doutora Adriana Veríssimo Serrão em A Essência do Cristianismo, na edição da Fundação Gulbenkian.

 

Obs: Reposição de texto publicado em 20.06.2014 neste blogue.  

2 comentários sobre “DE AMOR PALPITA O CORAÇÃO NO MUNDO…

  1. Pois o Ludwig Feverbach era Judeu e não era Ateu, não

    https://books.google.pt/books?pg=PR11&dq=Fosse+Ludwig+Ritter+von+Feuerbach+Atheist&id=qnkwAQAAMAAJ&hl=pt-PT&output=text

    O espólio literário do ex-Conselheiro de Estado e Presidente Paul Joh. Anselm von Feuerbach , meu pai, foi originalmente destinado à publicação por ele e seu filho Eduard, o único de seus cinco filhos que se dedicou à jurisprudência. Apenas esforço excessivo e conscienciosidade no cumprimento de seus deveres profissionais com constrangedor desconforto em sua posição dependente de funcionário público, indecisão e temor hipocondríaco em toda política, mesmo apenas de Coisas tocantes distantes afogaram seu caráter completamente masculino e destemido, a doença, seja real ou imaginária, e finalmente uma morte prematura e crua o impediu de cumprir a vontade de seu querido, até mesmo santo e venerado pai. Como o mais próximo dele não apenas em anos, mas também na ciência dos três então (1843) Encontrei irmãos ainda vivos de posse de todos os papéis que deixei para trás, não só meu irmão, mas também meu pai. Claro, o Besik material foi apenas a razão para eu me sentar imediatamente no Besik espiritual. Minha sede de conhecimento, que se estende não só a isso e aquilo, mas a tudo que vale pelo menos saber, minha atividade é menos escrever e ensinar do que aprender e estudar, estimulada por uma situação feliz, porque independente, e animada porO egoísmo sagrado do amor do filho pelo pai, primeiro fez estudar, depois peneirar e monopolizar a nadılass paternal em uma ocupação que era tão instrutiva quanto agradável, assim como minha cabeça e coração. Mas, no entanto, foi id, de sempre tão tirado meu próprio trabalho e Gebanfenentwickelungen tanto em Ansprudy em Besib que foi unmöglidy me muito curto, um para D. Wigand’s Conversationslerifou 1847 verfertigte esboço de vida de exceto meu pai, algo de sua propriedade para colocar a pressão sobre; pois é algo completamente diferente fazer algo para si mesmo e algo para os outros, fluir algo e Gtas sit venia verbo! para divulgar. Tem muita gente que vem deQuem nada sabe dessa diferença sabe o que e quanto sabe para saber o que fazer pelos outros, que só pensa e escreve para os outros porque pensa e não tem nada para si. Mas eu não pertenço à classe daqueles escribas felizes. Sempre tenho que superar um grande esforço para ir da sala de estudo à sala de visitas para apresentar minhas homenagens ao “público”, ainda que não de uma forma particularmente lisonjeira. E embora minha imaginação nem sempre me apresente o público do seu lado mais benéfico e agradável, pelo menos tenho um respeito tão grande pelo público que só posso fazer com que o público importe o que eu faço, pelo menos por um tempo long, para “Ev xal llăv , faça a enxó principal que suprime tudo. Provavelmente posso estudar “horas extras”, incluindo “Weplar’sche”, mas não posso escrever. Eu sou, como você sabe, horrível dictu! um ” ateu ” muito ridículo , mas mesmo assim , se não um bom cristão, não obstante, um bom hebreu e, conseqüentemente, um bom jeovista ou pelo menos um jalvista; pois quem é bom para os homens também é bom para seus deuses, os queridinhos de seus corações, quando rejeita imediatamente a regra dos favoritos dentro dos limites que ela merece. Mas Jeová diz: Eu sou um Deus zeloso, além de mim você deve ter outros deuses excelentes; e: seis faltas de posição Você trabalha para você mesmo, mas o sétimo dia, o sábado, é meu. Portanto, quantos anos pertenço ao meu Vas ter Privatissima, tanto tempo e estudo quanto já dediquei ao seu legado, que abrange toda a sua vida incansável, no entanto, só estou em condições de obter um pouco dela. para me comunicar com o mundo depois de ter conseguido me violar depara arrancar meus próximos pensamentos e trabalhos, e para devotar quase um ano inteiro ininterrupta e exclusivamente a eles. Mas consegui agradar o mundo com tudo isso? essa é, obviamente, uma questão diferente. Aliás, como é geralmente conhecido, não se pode comer de nada para todos – e Seber está feliz com o mundo. O maior padrão pelo qual alguém deve ser guiado permanece da mesma maneira que seu próprio julgamento, sua própria consciência, especialmente quando não está sozinho, mas de seu objeto é realizado e suportado.

    João Felgar

  2. pagina xxix – xxxiii

    *) Os raios de luz que a alta sabedoria governamental de nosso tempo lançou em minha obscura e filosófica vida aqui, não me faltarão, assim como o id; pela primeira vez, no lazer e com vontade de se concentrar nas características do zeitgeist governamental na lupa de um roteiro especial.

    Perguntas pessoais sobre cartas de meu pai para os enlutados de vários de seus conhecidos amigos em Sadsen, com o propósito de minha viagem. Mas eu estava sob o pretexto de que mantive minha estada em segredo porque estava no confiança reconhecidamente tola em um Fönlichen novo ) O passaporte bávaro não me registrou imediatamente, mas provavelmente apenas porque a polícia saxônica tem um nariz tão aguçado que eles perceberam: Procurei cartas de um grande advogado, mas a polícia temerosa de ter uma antipatia particular por tudo, o que é apenas remotamente relacionado à lei não é nada para mim, nada para você. Voltei-me brevemente para outros lugares, mas em vão. Mas eu também tenho que admitir que eu perdi, nad) cartas de pessoas que provaram ser falsos amigos de meu paipara olhar ao redor dele. Portanto, essa lacuna, como tantas outras, permaneceu por preencher. Em geral, devo admitir que nesta obra não reivindiquei o menor apoio estrangeiro, nem mesmo um conselho ou uma dica, por mais bem-vindo que muitas vezes teria sido para mim, que só confio em mim, nos papéis de meu pai, seus impressos escritos, a literatura que pertence a ele e sua época, pelo que pude , e uma pequena farmácia legal, mas nunca ultrapassou meus limites, comecei e terminei o trabalho, e que, portanto, gosto muito. que geralmente são feitos para os autodidatas não licenciados e não diplomáticos, e não sem razão. E, no entanto, ao mesmo tempo, devo confessar abertamente que só fui desde entãoremovidos de todas as instituições educacionais privilegiadas, apenas sobre mim, vivendo meus próprios recursos e poderes reduzidos, embora limitados, comecei a realmente aprender e pensar, e só invejo e ainda invejo as universidades residenciais por suas grandes bibliotecas e instituições científicas:

    Finalmente, tenho que dizer duas coisas. Em primeiro lugar

    uma observação que, aliás, é parte de entende a si mesma – que as letras, como tudo aqui publicada, com o maior cuidado e diligência, em parte, a partir dos originais, e em parte para o muitas vezes no entanto, difícil de decifrar Concepten todas as cartas mais importantes , tantos quantos só já pertencia unidades no departamento de estrangeiros no estabelecimento, seşte meu pai aguça-se na memória em parte pela de si mesmo aceno; cópias preocupadas de minhas mãos ou pelo menos copiadas sob meus olhos e entregues à impressão. Segundo, que o quadro de Kreul, feito às custas de seus conselheiros de apelação , que o senhor Raab gravou em aço em Nuremberg, retrata meu pai em seus anos de leigo e, embora seja um quadro muito bom, mais o presidente do que a pessoa inteligente. Suas quatro medalhas, portanto, não faltam no original; mas acredito que agi inteiramente no espírito e no espírito de meu pai a esse respeito, quando falei sobre o seio de um homem que, como ele próprio era gestamente, era no mais alto grau “ambicioso e ávido de glória”, mas ainda assim esta paixão só em serviço. Quem satisfez a justiça, a verdade e a liberdade, retirou este vão adorno como um jept altamente impróprio, até anacronismo perturbador.

    Brudberg, 20 de janeiro de 1852.

    Ludwig Feuerbach., Cavaleiro Xulelim

    João Felgar

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