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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Folhetins de Verão

EM BUSCA DE IDEIAS CONTEMPORÂNEAS

Folhetim de Verão – Capítulo 23

 

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  Michael Walzer

 

EM NOME DA JUSTIÇA COMPLEXA…

 

O pensamento político ocidental vive um momento que merece especial atenção. As ideologias características da sociedade industrial e as suas referências abrem caminho a novas formulações. Depois da emergência do indivíduo e da singularidade ou da voga do neoliberalismo nos anos 80 os temas sociais regressam, mas também os comunitarismos sofreram limitações.

A questão da regulação da sociedade e o papel unificador das instituições voltam à agenda. A designada crise do Estado providência força a igualdade de oportunidades e a ideia de diferenciação positiva. As relações entre a ética e a política ganham uma maior relevância, as desigualdades forçam a superação da mera igualdade de oportunidades. Nessa linha, Michael Walzer (1935), professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, assumiu a renovação do pensamento político, através da articulação entre uma atitude liberal e a consideração da justiça numa sociedade complexa contemporânea. Como diligente leitor de Isaiah Berlin, cultor de uma noção positiva de pluralismo, Walzer tem a originalidade da defesa ativa da compatibilidade entre uma perspetiva normativa e universalista de inspiração kantiana e o reconhecimento do direito às particularidades comunitárias numa sociedade aberta.

Fora da estrita distinção entre as perspetivas liberal e comunitária, em “Esferas da Justiça” (1983), o autor defende a pertinência das propostas socialistas liberais, num tempo em que a fragmentação social deverá ser complementada pelos movimentos sociais e políticos legitimados pelo princípio da solidariedade voluntária. Neste sentido, Michael Walzer critica o que considera ser o carácter abstrato da posição teórica de John Rawls, bem como as suas noções de véu de ignorância e de justiça como equidade. Ao propor dois universalismos, um relacionado com a lei e o outro com os desejos de autonomia pelos grupos humanos, torna-se necessário assegurar, com os devidos cuidados, uma releitura de Tocqueville na sua análise da democracia americana. Se o respeito pelo Decálogo de Moisés pode ser universalmente respeitado e aplicado a toda a humanidade, o desejo de autonomia é sempre singular, apesar de ter um óbvio sentido universal (“o mais importante carácter humano comum é a particularidade”). Assim, o pluralismo está na encruzilhada de dois campos, o mesmo sentido da liberdade aparece baseado na arte da separação das instituições e não apenas do indivíduos.

O filósofo fala-nos, pois, numa justiça complexa que rompe com as ideias simplificadoras. A ideia de justiça distributiva opera de modo semelhante nos diferentes bens transacionáveis. A ideia de valor depende, por isso, de diferentes perspetivas na vida humana, na sociedade e na economia. Numa sumária designação, refutada pelo próprio, Walzer tem sido designado como comunitarista, por contraste com a atitude liberal, no entanto tem-se demarcado da posição de Alasdair Mc Intyre expressa no livro “After Virtue”.

 

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