The free speech rule, 2014
O jornalismo não é crime. Os jornalistas sentenciados no Egypt a penas de prisão de sete e dez anos não são criminosos. A mensagem é afirmada pelo pai de um dos condenados no Cairo por notícias ditas agora como assistência à Muslim Brotherhood entretanto ilegalizada. — Dans un État libre, les langues doivent aussi être libre. O punido auxílio a terroristas consiste em informação da Al-Jazeera sobre um partido político eleito por voto popular e depois destronado em golpe militar. A extremada leitura não deixa de surpreender mesmo no final da Arab Spring. No Old Bailey condenam-se também editores, under the common law, mas por escutas, conspiração e abuso da liberdade formalmente outorgada na 1689 Bill of Rights. — Name them, shame them! O All England Club acolhe os 2014 Wimbledon Tennis Championships. The Queen visita Belfast.
A temperatura da época sobe em Wimbledon com altas expetativas em torno de Mr Andy Murray. Aquém dos courts de Southwest London e sob esplêndido summer sky há paradoxais eventos que estremecem o futuro. A violência da sentença egípcia que faz do jornalismo um crime é algo que tem alvos no West e um destes serão prevenidos turistas que assim desvia do seu notável património universal, como modo de dizer claro «não» à injustiça. O poder nu e cru é brutal. Com tronos finos, o método é outro: despede o atrevido/a e cuida que não encontre local onde escrever. Quando o delinquente de opinião persiste, pune com igual estória conveniente sobre ser terrorista, infame ou afim. Os falcões de ocasião anseiam por prova de força para mostrar as garras. Prender o mensageiro é fácil, mas cara sai a ofensa a princípios que alicerçam a saúde das instituições e a prosperidade das comunidades. Sem espírito crítico, o deserto avança com seres reptilizes que cedo ou tarde digerem as aves da capoeira.
A confusão em torno da freedom of speech tem outras caricaturas. O inenarrável phone-hacking trial envolvendo a News International de Mr Robert Murdock acaba com vereditos de inocência e culpa dos editores, mais um pedido de desculpas pelo Prime Minister. Mr David Cameron apresenta a “full & frank apology” por empregar no No. 10 um dos responsáveis pela obtenção de notícias à custa de escutas a celebridades e outros. Mr Andy Coulson, o seu spin doctor vindo do extinto tablóide News of the World, era acusado de malfeitorias várias no que é designado em Fleet Street como an open secret e é condenado pela cultura do by-all-means. Um relatório hoje mesmo divulgado na House of Commons pelo Political and Constitutional Reform Committee inscreve a necessidade de “more clarity” no papel e poderes do PM, para útil accountability.
O legado da turbulência entre UK e Ireland continua sob os cuidados do Palace of Buckingham. The Queen e o Prince Philip viajam a Belfast, recordando atos de Victoria em 1900 e George V em 1911. Na agenda de Her Majesty pontua um encontro com os Irish leaders e representantes da sociedade civil em civic lunch. Mais, quando o impossível se torna possível: Elisabeth R entra numa notorious Victorian prison, a Crumlin Road Jail, acompanhada de alguns dos outrora law breakers lá detidos por ligação ao IRA como o First Minister Mr Peter Robinson ou o Deputy First Minister Mr Martin McGuinness.
O gradual regresso à normalidade nos laços entre nações com tanto de comum e também feridas profundas geradas durante 200 anos de disputas e terrorismo à mistura, suscita imensa esperança. — Tancredi lives: If we want things to stay as they are, things will have to change.
St James, 24th June
Very sincerely yours,
V



