Poeta e novelista norte-americano reside actualmente em N.Y. Traduziu literatura francesa, publicou poemas, ensaios, novelas e entre outros galardões recebe em 2006 o prémio Príncipe das Astúrias.
Edgar Allan Poe, Samuel Becket, Kafka, Proust, Hemingway, Dostoiévski entre outros, marcaram-no para sempre, tal como Stéphane Mallarmé que nestas páginas já referimos, Sartre ou André Breton.
Reli “A trilogia de Nova Iorque”, recordando-me do argumento do filme Smoke e da importante colaboração de Paul Auster com o realizador Wayne Wang. Tudo me pareceu um sinal de linha ao qual cada passo se aproximou da claridade.
Volto a concluir que Auster, muito depois das horas, permanece. E permanece com uma lealdade ao que procura e ao que interpreta viver, tocando o espaço invisível onde afinal as horas o atravessam quando já pouco ou afinal tudo resta.
Te respiro.
Te sosiego fuera de mí.
Te aturdo al alcance
de la luz fraternal.
Te bebo
hasta las heces del desastre.
El cielo me clava una estrella vagabunda
en el pecho. Veo el viento
como testigo, la noche imponente
que se entretuvo
en un dédalo de robles,
la distancia.
Te acoso
hasta el filo de la pesadumbre.
Te dreno.
Te desafío,
te consagro
a nada y
a nadie,
me vuelvo
tu sucesor ineludible,
tu heredero más feroz.
Assim um dos seus poemas me chegou em prolongamento doirado do poder de uma língua que o traduziu. Presságio.
O encontro com um bloco de notas de capa azul e de fabrico português estreita-nos numa reflexão sobre a natureza do tempo, no seu livro “Noite do Oráculo”, e confirma-o como um dos mais originais escritores da América dos dias de hoje.
Em Setembro deste ano não deixei de reter uma pequena parte da entrevista de Luciana Leiderfarb a Paul Auster e acolhida pela revista do Expresso.
E nele Paul, muito depois das horas
Estou literalmente no inverno da minha vida. Se dividirmos a vida em quatro estações (…) talvez seja o período mais interessante de todos (…) ainda não estive lá, apenas dei alguns passos. Fisicamente não vai ter graça nenhuma, mas mentalmente pode vir a ser uma grande aventura (…) estou cheio de ideias (…) até lá continuarei a caminhar.
Para mim é este o Paul que desde o início pressenti e que permanece muito depois das horas. Afinal como as flores ingovernáveis do meu jardim.
Teresa Vieira
