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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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QUE ARCHEIRO ME FERIU COM A SUA SETA?…

 

   Minha Princesa de mim:

 

   Num sermão de pregador desconhecido, do séc. IV, que a Igreja inclui entre as leituras que os livros de horas sugerem para as matinas de sábado santo, descubro, uma vez mais, este trecho, surpreendente sempre: 
   Eu te ordeno: desperta, ó tu que dormes, porque eu não te criei para que te mantenhas cativo no reino dos mortos. Eu, que sou vida até dos mortos, digo-te que te levantes, obra das minhas mãos! Levanta-te,minha imagem e semelhança! Levanta-te, para sairmos daqui, porque tu em mim e eu em ti somos um só! Por ti, Eu, teu Deus, me fiz teu filho…
   Nunca fui muito devoto, como sabes, antes sempre avesso a pieguices ou pretenciosismos “religiosos”, ao estilo daquelas jaculatórias como: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos… Peço-vos perdão para os (pelos) que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam… Soam-me a oração de fariseu – de que Jesus não gostava – próximo do altar físico do templo, longe do pobre publicano que, lá atrás, no fundo esquecido, batia no peito contrito e não se achava digno. Deus dá-se-nos por amor, e só amor nos pede. Não se conquista, muito menos pela repetição de ditos e ritos hipócritas.

   Abri hoje, ao acaso da biblioteca, um dos Le Livre de Poche Chrétien, colecção da Arthème Fayard, dirigida por Daniel Rops: Prières des premiers Chrétiens, antologia organizada por um franciscano, o padre A. Hamman. Foi-me oferecido, há mais de sessenta anos – a julgar pela dedicatória que diz à un nouveau et très bon ami, avec un “au revoir” – por uma Ghislaine, cujo apelido omito, de quem já não me lembro… Mas era certamente uma das muitas e muitos jovens europeus e latino-americanos que, nesse tempo apoiávamos, em Paris e Bruxelas, a obra cultural e social da Igreja na América do Sul. Abriu-se-me o livro na página 88, caí sobre uma exortação de Orígenes (séc. III), cristão de Alexandria, homem de cultura helenística, mártir e filho de mártir, que claramente evoca as setas de Eros, a que os romanos chamavam Cupido: Como é belo e glorioso receber a ferida do amor! Este recebe a ferida do amor carnal, aquele é tocado por outra qualquer paixão terrestre. Quanto a ti, põe-te nu e oferece-te aos rasgos maravilhosos: é Deus o archeiro. E, mais adiante, recordando também as aparições de Jesus depois de ressuscitado: Escuta bem o que te diz esta seta, e como Deus a escolheu. Como é feliz o fado dos que esta seta feriu! Por ela foram tocados aqueles que, um ao outro, diziam: «Não ardia em nosso peito o coração, quando, pelo caminho, Ele nos falava e explicava as Escrituras?

   Acontece-me falar, com alguma frequência e em qualquer parte, da minha fé cristã, não que me force algum instinto prosélito, mas por fazer parte de mim, como a família e os amores humanos. Fomos criados, educados e instruídos – como se dizia – “na religião da Santa Madre Igreja Católica”, e ficarei para sempre grato aos “nossos maiores”, pela vida, por muito dela, por esse encontro com o Cristianismo também. Hoje, passadas mais de sete décadas sobre o meu baptismo, pensossinto que, ao longo de tantos anos, pecando, duvidando, amuando, interrogando, concordando e discordando, sendo amigo de padres, frades e freiras e inimigo do clericalismo, frequentando missas e detestando beatérios, fui afinal procurando a possibilidade de reconhecer, ao ritmo dos passos da minha vida, em mim e na minha circunstância, nas minhas atitudes, nas pessoas e nos acontecimentos, a prometida alegria que é, de sua graça, a dor inamovível da intimíssima ferida… 

   Eu, que sou católico, repito, em oração interior, essa frase de Ludwig Wittgenstein, agnóstico: Não sou um homem religioso. Mas não consigo deixar de olhar para qualquer questão, sem que seja de um ponto de vista religioso. Porque a nossa relação ao mistério de tudo é, como o amor, humano ou divino, simultâneamente contínua e inesperada. Em sábado santo, o silêncio interroga o silêncio. E é mais sentida a ferida. 

   Dou-te hoje a mão com um recado: deixemos que o silêncio nos fale a todos.

   Camilo Maria

Camilo Martins de Oliveira

 

Obs: Reposição de texto publicado em 01.06.2014 neste blogue.

2 comentários sobre “QUE ARCHEIRO ME FERIU COM A SUA SETA?…

  1. No nosso Reino de Portugal, fomos todos Judeus na Monarquia Portuguesa

    Vamos às provas documentais, eu não sou católico, sou Cristão que é a mesma coisa que ser Judeu. Jacob, David, Josephus, Zacarias, são termos Judaicos.

    O princyro Rcy fundador da Cara Rcal de foy clRcy David. Tinhalhc Dcos prometido, hun Rcy dc fcu sangue em tempos mays cala. quando o Reyno dc ludca paflaiica Rey cíträHercdes, & ao Emperador Cciar Augusto : De Pfal.137. tris sui ponam super jedem tuam. Cūprio sua pro, num.1i. palavra em Chrifto por hũa molher a Virgem ferindo a linha feminina à masculina Via S. Chrifto concebido , & nam conhecia o Myfte. clembraya da promessa, pam scparava na prom cabia no que era,nam o tinha pelo Rry pro. Dislhe o Anjo : Josephfili David! Recognosce: 0 Lofoph!que pensamentos sam os voffos? Recog. promisum es domui David’, de qua tues, & Ma. implerum in ea: Reconhecey em Chrifto fillio pessoa Recaldo Roy prometidoà David. Ve. olhos do entendimento, & do discurso,como enha Dcos de sua palavra, como cumpre Ta. O quc vedes na Virgem Maria , hc o En: Deus absconditus : Scrà Rey descuberto.no cal da Sacti Cruz:Iefus Nazarenus Rex ludæo.

    Confirmar’ona refurreyçam co grande poder, is. ir com’o Sinetiflimo Sacramento o inundo. Icunn. 19. est inibi omnis porestas in cælo, & in rerra. azer o Anjo cita advertencia à S. Iofcpli no E quc a Lgreja canta neste dia, fazia Dios a mef. Hul. 28. ncia a Portugal: jofeph fih David! Recognofce fumet domui David: Mlustres Portuguclis rc., cit: Principe, que nasce en dia tan alegro, a 1.do Rcy.prometido a el Rey D. Alfonso Henriques: primsyro fūd.dor de suaCafeReal.Vcde ncileco molc dcfcmpenba Dcos de sua palavra, como cumpre sua promeffa for hūa no hcr a Sereulli na Senhorabo. na Catherina:l’ide impletum in ea:Scovedes incftcdi.R cncuberto,veliolicys a seu tempo Rey descuberto,feftis jalohcys mays avāti Rey cöfirma Jo: Recognofce quod promissum cst doinui David. Pfal.18.n. Melhor oProphetaRey. Diz, que os dias (cfallam:Dies diei eructai verbum:& nox nofti indicar scientiam: Hum dia falla coo outro, & hūa noytc.com a outra. Difficultosa cscritura.

    Ego Alphonfus Portugallia Rex filius illustris Comitis Henrici,nepos fione habita magni Regis Alphonsi,coram vobis bonis viris Episcopo Bracarensi.com Epifcopo Colibrienfi ; &• Teutonio , reliquisque magnatibus, officialibus, vassallis Regni mei in hac Cruce’area, din hoc libro Sanétifsimorum Evangeliorum juro cum ta&tu manuum mearum, Quod ego mifer peccator vide hisce oculis indignis verum Dominum nostrum Jefum Chris stum in Cruce’extensum in hac forma. Stuardas Rex 1392.ex hoc Margarita Franciæ Regina. Jacobus I.Rex Scotiæ 1437. occisus. Jacobus II. Rex occisus 1462. Jacobus IV. Rex oco cisus 1513. huic Vxor Margarita fupradi&ta Henrici VII. filia, aviaque Ma. riæ, ad quam jure hæreditario Regnum Angliæ succedere debebat Jacobus V.Rex veneno necatus.

    DAVID ÆTHIOPIÆ REX. Legatio David Aethiopiæ Regis, ad Sanctissimum D. N. Clementem Papā VII. vnà cū.obedientia, eidem sanctiss. D. N. præstita. Eiusdem Dauid Aethiopiæ Regis Legatio, ad Emanuelem Portugalliæ Regem. Item alia legatio eiusdem Dauid Aethiopiæ Regis, ad Joannem Portugalliæ Regem. De Regno Aethiopiæ, ac populo, deq moribus eiusdem populi, nonnulla. Bononiæ apud Jacobum Kemolen Alostensem. Mense Februario. An. M.D.XXXIII. 4to.

    DAVID, JOANNES. Icones ad Veridicum Christianum. Antverpia apud Philippum Gallæum. Anno 1601. 4to. G.M

    Ad hoc uterque rex quator castella in fidelitatem ponit. Rex verò Adefonsus ponit in fidelitatem Nagaram, castellum christianorum, et Or, castellum judaeorum, et Arnedum, castellum christianorum, et Celorigon, castellum judeorum. – Sanctius rex Navarrae ponit Stellam et Castellum judeorum, et Funes et Marannon) (Mem. Histor, de Alfonso VIII, Apénd. iv, pág. Lxm

    Vocabant eum nomine patris fui Zachariam . Qucrião mu tos,que o filho desejado da csteril Elisabeth se chamaise Zacharias; mas a mãy respondco,que nao seavia dc chaw mar scnao loão: Et respondens mater eius,dixit:Nequaquam, sed vocabitur loannes. Queriao muytos, que se chamafleo Rey prometido por Dcos pera o anno dc 40. Dom Sebastao; mas respondco Elizabcih, rcspondeo Lisboa: Ne quaquased vocabitur loannes:VIVA ELREY DOM J0AM IV.

    João Felgar

  2. Existem mais Reinos que eram Judeus, como os Marranos aqui ao lado em Espanha, na Austria de Salzburg, reino de França com Bourgonha, Valois, Tour, Semur,

    Nobedientem SAULEM Ifraëlitarum Regem solio exturbat DE. VS; ci DAVIDEM duium Paftorem insigni pictate juvenem substituit, qui fa ceret omnes voluntates eius. Noui Regis in, auguracionem peragit SAMUEL lenticulâ olei, quia difficilis ac diuturna lueta hominem manebat, priusquam Regni plenam pollellionem adipisceretur. Poterat quidem facilem sibi fternere gradum ad Thronum obtruncato hoste, fed maluit pius Rex, foepiùs Patriâ carere, quàm regnare Parricida, barbarum ac impium ratus, fanguine regio potiùs quàm paludamento purpurari. Nec habet necesse viam ferro aperire ad folium; nam impius Rex sua manu ( quia competentior non erat) fibi necem macurat, ut magna exempla facilè fectacores inueniunt , inchoatum facious Amalecites perpetrar. Ad nuntium sublati Regis ingemiscic DAVID, Parentem putares non hoftem perdidiffe: Iceleratum ministrum necis ulciscitur, ne probaffe videretur.

    Salisburg. T. III. P-362. notanter exprimit: Fridericus Dei gratia Rom. Rex etc. confirmantes quidquid ..; et gloriofus pater nofter, inuictif mus Imp. Heinricus, et charifimus patruus noster Conradus, il luftris Sueuorum Dux – tradita a patruis nostris Friderico et Conrado, Sueuorum Ducibus etc. Everardus Comes Foro Iu. liensis, liberos suos ordine recenset in testamento an. DCCCLXIII. condito hisce verbis : Ego in Dei nomine EVERARDVS Comes, cum coniuge GISL A buius teftamentum diuifionis fieri inter in fantes noftros institui , quorum haec fient nomina Vnroch, Beren. garius, Adalardus, Rodulphus, Engeltrúd, Iudith, Heilwich etc. AVBERT. MIRAE vs in Codice donat. piarum; Cap. XV. Ita ex diplomatibus genealogiain. Regum Francorum DAVID BLONDELLvs in libro fub tit. Genealogiac Francicae plenior i affertio; Ducum Sabaudiae s AM. GVICHENON dans l’histoire genealogique de la royale Maison de Savoye; et Comituin Flandriae OLIVARIVS VREDivs in Genealogia Comitum Flandriae praecla

    Philippo rege Francorum, ego Bcrengarius abbas Villæ-magnae per me & per omnes meos fucceffores, & ego Ramundus de Grazelis, & ego Bcrnardus de Brazill, & ego Guillelinus Marescots, & ego Aimericus de Labroca, & ego Sicardus Aimerici , & ego Guillelmus Coftauz, & ego Petrus Morgues, & ego Guiraudus Tolzanus, & ego Guilielmus de Vilaiglino, & ego Ramundus Malerius, & ego Ugo de Born, & ego Stephanus Maurelli, & ego Johannes Rafeire, nos omnes fupra fcripti per nos & per omnes homines & populum Villæ-magnae communi confilio, & voluntate damus, laudamus, & concedimus tibi Salomoni de Felgariis & tuis in perpetuum

    A vida quer se contada com Verdade, a Igreja Católica, não tem um documento de prova que as igrejas, os mosteiros, eram deles, o que eles tem é autoridade a mais e julgam que por ter atraiçoado e usurpado a Monarquia Portuguesa y Espanhola, julgam que tem autoridade.

    Não gosto da Igreja Católica nem a Opus Dei, todas as outras Lojas da Maçonaria em Portugal, ou seja todos os Maçons são meus Templarios. Estes existem desde D. João I, foram os que impulsionaram os Descobrimentos, levaram a aumentar grandemente o Território Português.

    João Felgar

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