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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

CINCO POEMAS – E

1Se se pensa nas razões da vidaEla a morte é cabeça velha que labutaNum ofício em que o tempo finda de rompanteOu ela não gostasse de se interpor às conversas e impor-se só querendo falar Daquilo que chama Daquilo que está escondido atras da sua línguaLinha reta que todos cumpremQuer sejam os do berço do […]

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poemas poesia

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE GOLGONA ANGHEL   Na sala de leitura da insónia Na sala de leitura da insónia, quando o carro do lixo é a única resposta ao silêncioe cada instante é um amanteque matamos num abrir e fechar de pernas,acompanho em eco, até à estação,os passos apressados das empregadas de limpeza.Para elas, não há inferno. Simplesmente, […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

       POEMA DE FILIPA LEAL   NOS DIAS TRISTES NÃO SE FALA DE AVES   Nos dias tristes não se fala de aves. Liga-se aos amigos e eles não estão e depois pede-se lume na rua como quem pede um coração novinho em folha.   Nos dias tristes é Inverno e anda-se ao frio de cigarro na mão a queimar o vento e diz-se – bom dia! às pessoas que passam depois de já terem passado e de não termos reparado nisso.   Nos dias tristes fala-se sozinho e há sempre uma ave que pousa no cimo das coisas em vez de nos pousar no coração e não fala connosco.   in A Cidade Líquida e Outras Texturas, 2006       ON SAD DAYS YOU DON’T MENTION BIRDS   […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE FERNANDO PINTO DO AMARAL     CARDIOLOGIA   Talvez na sua vida o maior estímulo fosse a curiosidade.   Era o motor de tudo: aproximava-se de todas as mulheres que conhecia, mas só lhe interessavam os seus corações.   Cultivava com método essa obsessão e tal como as crianças costumam fazer aos brinquedos preferidos, também ele queria vê-los por dentro, saber ao certo como funcionavam, desfibrar lentamente cada esperança, dissecar com um rigor quase científico cada angústia ou desejo inconfessável até saborear o gosto sempre novo de cada uma dessas células.   Após cada experiência, observava aqueles corações já desmontados e, por não conseguir juntar as peças, guardava-as uma a uma no seu peito. Era um lugar seguro e com tantos pedaços de outras vidas na sua pulsação descompassada podia enfim acreditar que tinha também ele um coração.     in Pena Suspensa, 2004     CARDIOLOGY   The greatest motivation in his life was perhaps curiosity.   It drove him on: he approached every woman he met, but he was only interested in their hearts.   He methodically followed this obsession and like a child  […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE FERNANDO EDUARDO CARITA   Há no amor… (Para Paulo e Lídia)   Há no amor uma qualquer força mortífera Que põe os amantes um contra o outro, Bastará que a libertem;   Há no amor uma qualquer força vital Que põe os amantes a favor um do outro, Bastará que a mantenham em cativeiro;   Há no amor uma qualquer força inumana Que há-de preservar os amantes De sucumbirem nas margens um do outro, Bastará que a coloquem já onde o amor os não alcança.   in A casa , o caminho/ La maison, le chemin, 2008     There is in love… (To Paulo and Lídia)   There is in love some deadly force That sets lovers against each other, All it takes is to unleash it;   There is in love some vital force That brings lovers towards each other, All it takes is to imprison it; […]

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