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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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UMBERTO ECO E CARLO MARIA MARTINI (VI)

Em Que Crê Quem não crê? 

(Um livro acalorado e nós)

 


Existe em nós um estímulo suficientemente luz para nos dar coragem à escolha humana deliberada?


E esse estímulo-luz é a procura da paz que ansiamos a fim de nos perdoarmos por não termos inscrito em nós este desígnio?


Ou antes, ele é a busca de uma religiosidade substantiva, realidade que segura a condição do que é mortal?


Ou ainda e para que nos baste face à lucidez de nos desgostarmos de nós, o estimulo-luz é Deus e deuses, mistérios e milagrosos rezares que abraçam imensamente o coração de quem não crê e de quem crê, e no abraço, a razão da tolerância ao princípio do terreno-conflito comum a todos.


De jeito atrevido diríamos que toda a realidade envolve uma verdade que carece de estabilidade, seja ela o mal que nunca deixa de ser mal ou o bem da boa-fé.


Seja ela o nenhum fundamento da morte ou o entendê-la pela antecipação inegável que há no intuir.


Por aqui também passou o nosso refletir na leitura deste livro e tão pouco foi.


Não será, porventura, da responsabilidade da relativização do pensamento, a consequência dos caminhos múltiplos, nem a sua permanente tentação.


E o diálogo, sempre diálogo a que é intrínseca a ideia de medida.


Os homens identificam normas adequadas à qualidade de vida. É uma conceção moral, é uma linguagem que deve ter em conta as mudanças, é uma linguagem onde nunca caberão as mudanças inegociáveis, as prioritárias no sistema da prudência das hierarquias.


Afinal aquilo que se partilha é sempre o princípio da possibilidade.

 

 Teresa Bracinha Vieira

7 comentários sobre “UMBERTO ECO E CARLO MARIA MARTINI (VI)

  1. A Igreja qualquer que seja, tens os seus ensinamentos e são todos iguais, aqui no Centro Nacional de Cultura, deviam na minha opinião, partilhar experiências de outras religiões, vivemos num Portugal Laico, sem predominância religiosa da Católica.

    Sendo o Centro Cultural de Portugal com mais ou menos 17 mil visitantes, deviam de fato mostrar outras religiões, somos um povo tolerante, e neste propósito fala se muito em religiosidade de ensinamentos Católicos. E acho que o povo merece escolher pelo melhor.

    Nós temos a Católica em Portugal em entidades como o exercito Português, e não entendo, o porquê da religiosidade junto aos militares. A fé é para crentes que fazem o bem, os militares fazem as guerras e não entendo o porquê da Católica numa entidade militar para ajudar as almas de quem ?

    A religião Católica sempre teve um corpo militar, quando a Igreja professa a paz, a concórdia e o respeito por outros povos, para quê ter Militares ? para quê ter a maior multinacional de armamento bélico que vai fomentar as guerras.

    Eu gostava de perceber como é possível sendo a Católica a única entidade religiosa estrangeira, que usa os meios militares de outros Países, e somos independentes, e somos servientes a Roma, não entendo.

    João Felgar

    1. É de agradecer o agudo comentário.
      Sou quem, à quinta-feira, tenta, em seu tempo, uma variedade de assuntos. No caso, uma reflexão sobre o livro de Umberto Eco e Carlo Martini.
      Todavia, a todos é pedido algo mais quando a questão da paz se permite – sem objeção – ser alcançada pela guerra.
      Enfrentar este tema com humildade torna todo o diálogo imprescritível e inevitável.
      Que surja! Que se somem as vozes!
      Teresa Bracinha Vieira

      1. Interessante desafio, na Quinta Feira

        Já cai a noite e já tomba o dia. É quarta-feira, essa Quarta-Feira que antigamente se chamava de Trevas (ainda a chamam assim?) e precede o mistério do Trídolo Pascal que em Quinta-Feira Santa começa e na noite da Ressurreição acaba. Na noite de Trevas, escrevo ou dito eu esta crónica que será lida no dia da Ressurreição. “E se Cristo não tivesse ressuscitado toda a nossa Fé seria vã”, como São Paulo escreveu no célebre e misteriosíssimo capítulo 15 da Epístola aos Coríntios. Como são belos estes rituais da Semana dita Santa! Três dias de luto, igrejas enegrecidas. “Crucifige! Crucifige! Morte ao Rei dos ladrões!” “O Rei dos espinhos! O Rei dos espinhos!” Maria pergunta: “Filho, Pai e Marido / Quem Te há ferido e desnudado?” E vêm-me à memória esses e outros versos de O Desequilibrista de M. S. Lourenço, poema de outrora. E subitamente, tão subitamente como apareceu a Maria de Magdala o jardineiro, termina o singular combate travado entre a morte e a vida, de que falava dantes a sequência da Missa Pascal. “Foi vencida a lei do caos e o Tártaro foi esbofeteado / A terra agitada agora por este furacão de sinos / Diz-vos que Eu ressuscitei” e estou sempre perto de M. S. Lourenço, agora tradutor de Claudel e daquele fragmento do Toi, Qui Es-Tu?, que começa por: “Há muito já que contemplo uma estrela. A morte foi submergida na vitória [I Cor. III. 15: 53-55]. Oh morte onde está a tua vitória? Oh inferno onde está o teu aguilhão?”. Das minhas antigas vigílias pascais lembra-me o Aleluia! Aleluia!, cantado no gregoriano dos Olivais, ou no sol a pino do meio-dia do Sábado que de Aleluia se chamou, ou na noite de sábado para domingo, quando se reformou a liturgia. E lembra-me essa alegria que nos chamava estultos e tardos de coração, se não exultássemos e rejubilássemos nela. Bento XVI vem em meu socorro!

        Se a Senhora Teresa quiser ser na Quinta Feira, Rainha de Portugal é bem vinda.

        João Felgar

  2. Em Que Crê Quem não crê?

    Eu creio em algo misterioso que não entendo, mas não faço ligação de Deus como algo sobrenatural com parecenças aos seres humanos. Não.

    Eu não creio em Deuses com semelhanças humanas, nunca vi, portanto não vale pena inventar situações, como algumas entidades religiosas criaram formas misteriosas de acalmar a alma das pessoas, mentindo e inventado.

    A morte que na Católica surge como algo de ascensão aos céus e com denominações de Paraíso e Inferno. Na realidade, nunca foi provado isto, quando questionamos a sacerdote, para onde vão as almas, nas respostas são muito generalistas, não sabem, nunca foram para o outro lado e voltaram, não e inventam coisas. Quando a Fé devia ser algo de verdadeiro e não é.

    Para a Senhora Teresa Vieira, quando um nosso ente querido falece, em casa, ou noutro local, nós seres humanos temos por vezes sensações de arrepios na espinha, um frio de rachar naquele compartimento, e por vezes não se entende. Porquê é que o Oliveira Salazar tinha padres nos hospitais ? Hoje na Republica não temos isso, não. Mas quando vamos a um Hospital temos zonas muito frias, geladas, e noutras quentes sem aquecimentos, são perguntas que não tenho resposta.

    Quando um familiar nosso falece num hospital, numa berma de estrada, num passeio, em qualquer sitio, na minha opinião, a alma dessa pessoa ficou ali, não vai para o cemitério onde reside o corpo.
    Mas nós no nosso interior, ficamos inconstantes com a preocupação como se encontrara a alma do nosso ente querido e prestamos a nossa homenagem no cemitério e no local onde faleceu (hospital, um centro clinico, na estrada, onde for), porque as almas não vão para o Paraíso nem Inferno, não.

    Com certeza que existirá uma reencarnação e melhoria de vários estádios de progressão no caso de na vida real, se ter portado bem na sociedade e tem uma recompensa, outros que tiraram vidas a outros e outros comportamentos, terão uma regressão, isto é o que eu penso.

    O dialogo é fundamental para resolver problemas, a Igreja que pede paz, ela mesma cria os obstáculos, cria os atritos entre comunidades, cria a guerra e não a paz, eu já afirmei muitas vezes isto, a Igreja Católica Romana e Apostólica, tem o seu fundamento religioso na arte militar de Roma.

    Este senhor foi meu 10 avô materno da minha 8 avó Materna Joanna Mathilde Fez, aqui era uma arma contrária à Igreja Católica Romana e Apostólica, eram Reis Judeus. E eu tenho pedido para o Retorno de todos os Judeus para Portugal.

    D. O. M. B. M. V. Gaspar ex Sereniffima Benemerina familia, vigefimus fecundus in Africa Rex. dum contra Tyrannos a Catbelico Rege anna rogat auxiliaria, liber effeflus, Through Germany, Bohemia, Hungary, Switzerland

    In the church of S. Maria della Concordia is interred Gafpar Benemerini, once king of Fez, who afterwards renounced Mahometism; he lived to the age of a hundred years, and died in 1641. All the inscription on his tombstone is, S. Teresa with the golden feece, S, Maria della Concordia.

    Sepulchrum hoc Gafparis Benemerini Infantis de Fez, ego ejus familia de Benemerino.

    GASPAR ex seremijfima BENEMERINI Familia, vigefimus fecundus in Africa Rex, dum contra Tyrannos a Catholico Rege arma rogat auxiliaria, fiber effe&us a tyrannide Machometi,sepulchrum hoc GASPARIS BENEMERINI, Infantis de Fez, & cius familia

    E esta família respeitavam todos, com exceção da Igreja Católica, porque esta gente usurpou conceitos dos Judeus e seu património. E eu tenho a mesma sensação de repudio contra esta Católica, já me vem no sangue, outros Reis Portugueses, tiveram também um repudio contra os cardeais e Papas.

    João Felgar

  3. Este Flavio Maximus era primo a Cesarae de Roma, criaram a Igreja Romana e Apostólica da sua base

    Ataulpho Flavio
    Potentissimo régi regum rectissimo,
    Victori victorum invictissimo, Vandalicae
    Barbariei depulsori, & Caesareae Placidiae
    Animae suae : dominis suis clementissimis
    Anatilii Narbonenses Arecomici
    Optimis principibus in palatio
    Posuerunt ob electam Heracleam in regiae

    Majestatis sedem.

    Plusieurs habiles modernes ‘, qui ont eu occasion de parler de cette inscription, n’ont pas fait difficulté de l’admettre comme vraie, & nous ne connoissons que M. Je Tillemont* qui ait paru douter de son authenticité. Quelque déférence que nous ayons pour le suffrage de tous ces savans antiquaires, nous ne croyons pas devoir l’adopter. Nous avons même des raisons assez fortes pour croire ce monument supposé j les voici:

    1 Spon, Misccllanea, p. 15<j. — Ducange, Chronîcon Pasch. in Historia Bysantina, p. 572.— Menestrier, Histoire de Lyon. — Hardouin, Not. in Plin. c. 4, 1. 3.

    IV. Ataulpho Flavio potentissimo régi regum rectissimo, victori victorum invictissimo. Selon le style des inscriptions dont le bon goût n'étoit pas encore entièrement perdu au commencement du cinquième siècle, il auroit fallu dire Flavio Ataulpho, & non pas Ataulpho Flavio. D'ailleurs, tous les anciens qui ont parlé de ce roi ne lui ont jamais donné d'autre nom ou prénom que celui d'Ataulphe; & quoique nous voyons dans le Code visigothique le prénom de Flavius donné au roi des Visigoths à la tète de quelques-unes de leurs lois , nous n'en trouvons cependant aucun, avant Reccarède, c'est-à-dire avant la fin du sixième siècle, qui se soit servi de ce prénom, & il est certain qu'on n'en sauroit donner aucune preuve avant ce temps-là.

    V. Il paroît, en effet, que Théodoric, roi des Ostrogoths, ou d"Italie, fut le premier des princes barbares qui se para' du titre de Flavius, affecté jusqu'alors aux seuls empereurs. Ce prince se l'attribua, sans doute, parce que, quoiqu'il n'eût pas le titre d'empereur, il en tenoit cependant la place en Occident, & qu'il prétendoit avoir succédé à leur autorité. Avant lui, & jusqu'à l'entière décadence de l'Empire, bien loin qu'aucun des rois barbares se soit égalé aux empereurs par des titres si magnifiques, on voit, au contraire, qu'ils se comportoient comme s'ils leur eussent été soumis, & qu'ils se regardoient comme vassaux de l'Empire. Reccarède, qui est le premier des rois des Visigoths qui employa ce prénom à la tète de ses lois, le prit, au sentiment d'un habile' critique, pour ne pas céder & paroîtreinférieur aux rois lombards d'Italie, qui l'avoient usurpé sur les empereurs de Constantinople auxquels il avoit toujours été consacré.

    E quando temos homens do Clero que impõe aos outros as suas ideias, acusando outros de heresias, eles deviam olhar para o umbigo desta gente, vem de corpos militares das elites de Roma para fazer face ao aumento de valor monetário que o poder dos Judeus tinham.

    Eu não vou contra os Católicos Portugueses, são seres humanos que foram induzidos em erro, mas a curiosidade faz parte do ser humano e procurar pela verdade.

    João Felgar

  4. Eu não posso comentar autores Umberto Eco e Carlo Maria Martini na qual desconheço, vou lhe pedir à Senhora Teresa, traga me trechos do livro desses autores, para assim nós todos comentarmos.

    A sua realidade não é igual à minha, os meus autores são todos do passado, adoro ler tudo do passado, vivo o presente com informação do passado.

    As realidades do Umberto Eco devem com certeza abordar assuntos da atual realidade das sociedades, estou eu a inventar, que não sei.

    A humildade faz parte de todos nós uns mais humildes que outros.

    Eu não sou nada nesta vida, tenho sim uma importância de ancestrais notável, tenho, mas sou igual ao Ricardo, Teresa, Ana, Maria, o António, todos os anónimos e por ai adiante. Sou mais simples que qualquer outro mortal neste Portugal, sou capaz de pegar numa ferramenta e trabalhar a terra, ou outro tipo de trabalho, sou uma pessoa simples, sem títulos, sem Dom, sem mordomias de maior, a vida faz se com Verdade e Sinceridade.

    João Felgar

    1. Desejando boas leituras sou a transmitir que não possuo, neste momento, o livro de Umberto Eco e Carlo Martini, pelo que não posso facultar o que me solicita.
      Teresa Bracinha Vieira

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