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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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KÜNG E A FÉ


1.
Hans Küng, um dos maiores teólogos católicos e um pensador de influência mundial, deixou-nos. Fica a sua teologia com os novos horizontes que abriu no sentido de uma esperança que formulou assim na sua última lição na Universidade de Tubinga, em 1996: “Spero unitatem ecclesiarum, espero a unidade das Igrejas. Spero pacem religionum, espero a paz entre as religiões. Spero communitatem nationum, espero uma verdadeira comunidade das nações.” Fica também como inspiração a sua reflexão epistemológica, introduzindo na Teologia “a teoria de mudança de paradigmas”, a partir da obra famosa de Thomas Kuhn: The Structure of Scientific Revolutions, sobre o desenvolvimento da ciência (lembro a definição de paradigma de Kuhn: “Uma constelação total de crenças, valores, técnicas, etc., partilhada por uma determinada comunidade”). Também na Teologia há paradigmas: o paradigma paleocristão apocalíptico, o helenístico da Igreja antiga, o católico-romano medieval, o protestante reformado, o iluminista moderno, estando presentemente a esboçar-se um novo paradigma, o paradigma de uma “teologia ecuménica crítica”, com duas constantes ou pólos, em “correlação critica” – a primeira constante, pólo ou horizonte é “o nosso mundo presente de experiência em toda a sua ambilvalência, contingência e mutabilidade”; a segunda constante, pólo ou norma essencial é “a tradição judeo-cristã, que, em última análise, se funda na mensagem cristã, no Evangelho de Jesus Cristo” -, e duas orientações: ad intra, isto é, ecuménica, no sentido do ecumenismo intracristão, e ad extra, enquanto dirigida para as religiões do mundo e para toda a Terra habitada.


2.
Küng era um cristão convicto, e também me confessou, da última vez que nos vimos – foi em Barcelona em 2004, por ocasião do encontro do Parlamento das Religiões do Mundo -, a alegria com que ia celebrar os seus 50 anos de padre.

A sua teologia era uma exigência da fé, porque a fé tem de dar razões, o que ficou claro logo na sua tese de doutoramento sobre A Justificação. O que se entende, em termos simples, por justificação? Se se pensar bem, andamos todos a tentar justificar a nossa vida, a nossa existência. É que não nos basta existir, precisamos que outros, concretamente pessoas significativas, nos reconheçam. Há uma luta pelo reconhecimento, como tão bem mostrou Hegel na sua Fenomenologia do Espírito. Tanto individual como colectivamente. Temos necessidade vital de que reconheçam o nosso valor, que valemos. Foi isso que Lutero descobriu ao ler na Carta de São Paulo aos Romanos: “o Homem justifica-se pela fé”, isto é, podemos e devemos entregar-nos confiadamente a Deus, porque valemos para Ele, Ele reconhece o nosso valor, e, assim, confiando n’Ele, estamos salvos. Lembro-me de ter tentado explicar isto numa palestra em Maputo, e soube depois que um moçambicano negro tinha feito mais de dez quilómetros a pé para ir dizer a uma irmã: “Está aí um padre de Lisboa que esteve a explicar que valemos para Deus, Deus reconhece-nos, tu tens valor para Deus, já pensaste? Precisava de vir dizer-te isto: tu vales para Deus, Ele dá-te valor.”

Küng ouviu muitas vezes a pergunta: “Com toda a sinceridade, em que crê pessoalmente?” Para responder a este desafio deu uma série de lições, a cada uma das quais assistiram cerca de mil pessoas, de que resultou um livro: Aquilo em que Creio. “Escrevo para pessoas que se encontram em processo de busca.” Para crentes e não crentes…, “também para todos aqueles que vivem a sua fé e, além disso, querem dar razão dela. Para aqueles que, longe de limitar-se a crer desejam “saber” e esperam, portanto, uma interpretação da fé que esteja fundada filosófica, teológica, exegética e historicamente e tenha consequências práticas”. “A fé cega levou e leva muitas pessoas e povos inteiros à perdição.” Estava a referir-se aos fundamentalismos. E também não é fé verdadeira a que se contenta com o cumprimento de rituais religiosos.

De modo geral, quando falamos de fé, pensamos apenas na fé religiosa, esquecendo que a nossa vida toda está baseada na fé – fé vem de fides, de cum+fides provém confiança. Quanto nos metemos à estrada, confiamos que não venha um carro contra nós… Cremos num futuro melhor (crer vem de credere, donde procede o crer religioso e o crer até nos bancos: eles concedem (concediam…) crédito… Retire-se a fé, a confiança, o crer e o crédito na vida e… tudo se desmorona… O bebé vem ao mundo e entrega-se, numa confiança radical, à mãe, ao pai… Se a confiança de base (basic trust) for frustrada, a vida pode tornar-se-lhe um inferno.

Com o tempo, vai perguntando se há razões para confiar… E chegamos às perguntas decisivas: porque há algo e não nada? Que sentido tem a minha vida, Sentido último? O que será feito de mim? Fica a alternativa: o nada ou a plenitude, o absurdo ou o Sentido final em Deus. O crente não pode demonstrar Deus, mas o não crente também não pode demonstrar o nada; e ele tem razões melhores do que o crente? Küng acreditava em Deus e na vida eterna. Confiava, com razões, que, na morte, não ia para o nada mas para “o Fundamento último e Fim último do cosmos e da nossa existência a que chamamos Deus”, disse-me. O mundo e a existência são ambíguos. É no próprio acto de confiar radicalmente em Deus que se mostra que é um acto racional: com ele, num mundo ambivalente, de bem e de mal, de sentido e de absurdo, tudo se ilumina e ganha sentido, Sentido último.

 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 12 JUNHO 2021

2 comentários sobre “KÜNG E A FÉ

  1. A cidade de Tubinga pertencia a Bragança

    Rodolphus RYDOLIN, Com. Pala Comes Palatinus, Hugonis supra di&i con micis Palatini de Tubingen, Brigantiae coenobii Retiae Comitis , Monasterii Marchasınsis BEBEN instauratoris filius

    Anno Domini MCLXIV. Welfa, GVELPSO (fiuc ut quidam Welfo) Dux lunior de RAVENSPVRG, duxit Exercitum ad Raven. Caftrum I ALIGEN, fen I VINGEN, nunc TüSPVRG dų- BINGEN contra Comicem Palacinum de bit exerci. Tubingen, Brigantiae & Rhetiae Curienfis Comitem Hugonem , & g. Idus Septembr. circa wesperam Sabbathi non longe a Tubingen castra posuit: & cum diem Domioicam in quiere & ocio ftatuissent deducere, quidam procerui & minus cauti e caftris Welfi eruperunt, castra & Tubingam appropinquare ceperunt : ficque conflictus oritur circa horam 9. diei, Welfii uexillifer fuit Comes Henricus de VERINGEN, habuitque Wolffo in suo comitaru Episeopos, Stugurlensem, Spiren. sem, Wormaciensem, Bertholdum, Ducem de ŹEHRINGEN cum aliis quam plurimis Marcbionibus & Comitibus.

    João Felgar

  2. A terra de Tubingen é a mesma de Friburgo, da Alemanha, Bélgica

    1 WAlrHErvs, comes de Bregantia, inter comites Sueuiaein peruetuftis Annalibus commemoratur, qui Carolo Martello Francorum maiori domus, Pipin imagni patrire fiftebant.

    2. BR1co, vel Bericho, anno Domini 730 fub Pipinoregefuit epifcopus Auguftanus:ad quem Bonifacius Anglus Germaniæ Apoftolus venit.

    3. V1c 1l1 v s,comes Brigantinus,& Rhætiæ altæ præfes. · ·

    4. PAvLvs,comes Brigantinus. . a.

    5 PAscaLI s,inepifcopum Curienfem ele&us, ex coniuge quadam Efopeia Visorem fufcepit,epifcopum pariter Curienfeth : qui Caccienfe coenobium in Rhætiaalta pro Canoniffis virginibus fundauerat, anno 760. Cuius forores,Vefpilia abbatiffam egit ‘ \ Caccienfiscoenobii, Vrficinaverò monialem.

    6. ADAlBERT v s,vulgò excognomine comes de Rotenfan. ,

    7 . ANs HELMvs, Roderici comitis & Palatini Rhætiæ altæ, à Ludouico fecundo 1 ppulfi, frater germanus: cuius alii germani, Henricus comesin Vucrdcnberg, & Rolandus in Herrenbergac Tubingen,extiterant.

    8 HvNIFR1D v s,comes Bregantiae,circaannum Salutis 840.

    9 AdALBER rvs, Vgalricula & Hennam filiamreliquit.

    10. VDALR1c V s, ex filia comitis Vualtherialterum Vdalricumtulit.

    11 VDALR1 cv s hoc nomine fecundus,Ioannem progenuit. ,

    12. IoANNE s,ex regina Francig circaannum Domini 930, Vdalricum tertium progenuit.

    13 ; VALRI cv s hoc nominc in ftemmate tertius, Ethonem & Hugonem procreauit.

    14 ErHo, ex domina Dietburgi Gebehardum praefulem Conftantienfe mtulit, authorem ccenobii Peter shufenin fuburbio Conftantiæ, & ecclefiae collegiatæ in oppido Zyrzach: quiinnumerum fanétorum à Romanis pontificibus relatus fuit. Floruit circa annum 988

    15 HvGo , Ethonis fratergermanus,Vdalricitertii quoque filius,Luitfridum procreauit.

    16 Lv1r FR1D vs Marquardum comitem procreauit, & Adelhaidem nuptam Hartmanno comiti Dillingenfi,cui pro dotc Wyntherthur & Kiburgenfem comitatum attulitnam antea Brigantinorum comitum isfuerat vnde proccfferunt Adalbertuscomesin Achalm,Vdalricus comes in Gamartingen, Hartmannus comesâ Kiburg,&Vdaloricus epifcopusConftantiæ. .

    17 I.MARQvARD v s, Luitfridi filius,Albertum progenuit. .. :

    18. AlBERΤV s, Marquardi filius, occubuit in Apulia, & Hugonem reliquit.

    19 HvGo, Hugonis filius,fub Henrico tertio floruit. Quo tempore ciues Lindouiae continuainundatione lacus affliéti,liberantes fcè poteftate comitis4..marcisargenti, reJiisaedibus ininfulam Lyndouienfem fereceperunt, vbi monafterium fuerat Canonif. fàrum liberarum,ab Adalberto comiteâ Buchorn naufragium euadente cóftru&um. Cui aediculas coniungentes, affluentibusexlocis aliis compluribus, breui oppidum effecere, quodhodie Imperialeeft,& Lyndouia dicitur. Aliiautumant, Lyndouienfis ciuitatis fuiffé occafionem,quòd cum compreffiffet nobilemâ Bodincn, fugiens iram patris, Lyndouienfes accepta pecunia exemiffet, anno 1166.

    20. VDALR1 cv s fecundus, Vdalrici comiti sà Gamartin genfilius, Hugoni finc mafcula prole extincto,vt proximus genere fucccditin comitatu Brigantino.

    21 VDALRI cv s tertius,fuperioris filius,excomitiffa de Rhynfelden progenuit Vdalricum quartum,comitem Bregantiæ:& Rudolphum comitem de Pfulendorf, authorem coenobiiAvu fupra Brigantiam:hoceft,qui duéta vltimi comitisâ Pfulendorf & Sigmarigen,nata ,fa&us &adoptatus fucratcomcs illo1umlocorum. Quorum foror comiti à Pfyrd nupfit. ,

    22. VDALRI cv s quartus hoc nomine,tertii Vdalrici filius, ex comitiffa de Kalvu Hugoné fecundum & Rudolphum tertium progenuit. Quorú Hugo ex Veronica de Furftenberg Rudolphum quartum progenuit,cui comitiffaä Pfyrd coniunétafuerat.

    23 RvDoLPH v s tertius,ex Wulfhilde Henrici ducis Bauariæ & comitis ab Altorf filia multos liberos progenuit: videlicet Hugonem tertium, qui Tubingenfem palatina. tum fortitusfuerat, vnde Tubingenfes comites reétè defcendere dignofcuntur:&Rudolphum quintum.

    24 RVDoLPHY s quartus, Henricum procreauit,comitem de Bregantia & Pfuléd9tf. Quihunc fccutifunt,inccrtum. Cæterùm fubannum incarnationi§ Domini 1400. Wilhelmusgoihesá Brezantia reperitur, à quo Appcnccllcnfes& Rhy necenfcs defecerunt ,ad confœderatos Heluetiorüm. GE ueritia obiere.Filiarum Agnes com SÉ;

    João Felgar

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