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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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VICTORIA CAMPS – CUIDADOS: UMA OBRIGAÇÃO DE TODOS (II)

 

“Debemos recuperar el valor del cuidado y construir entre todos una sociedad más humana y solidaria”


Se é certo que o ser humano sente necessidade de ter em conta a outra pessoa e o seu sofrimento, todavia, os hábitos sociais que temos vindo a aceitar nos últimos tempos foram criando raízes na ideia de que os cuidados são da responsabilidade das instituições e não do mundo emotivo de cada um, o que levou a um despreendimento da vontade de cuidar, mesmo que se não interponham razões de saúde da parte do cuidador, ou mesmo razões de emprego ou outras que nunca deveriam recusar a ternura do cuidar que, enfim, de muitos modos se pode expor.


Envelhecer e morrer em lares em vez de nos encontrarmos nos locais a que pertencemos uma vida, acontece sobretudo por termos permitido que os lares fossem os profissionais lugares para onde se devem dirigir os que perturbam a regularidade das vidas normais, tão normais que se esqueceram da luta por uma sociedade inclusiva dos mais idosos.


A desresponsabilização da comunidade face a esta situação perdeu a ética do cuidar já que esta passou a ser uma razão e nunca uma emoção.


Viver o sofrimento dos nossos próximos é entender a paz que lhes damos e a que receberemos a seu tempo.


A vulnerabilidade surge paralela ao perder da autonomia, e, se o nosso pensar, encarar com naturalidade as situações da vida que englobam a fragilidade e a vulnerabilidade, então, a interdependência que um dia surgirá poderá não ser tão dramática, antes uma consequência do entendimento do percorrer a vida, o que nos acontecerá e nos unirá.


Alerta-nos a catedrática em filosofia Victoria Camps, que se não recuperarmos o superior valor do cuidar e de sermos cuidados, também como uma virtude fundamental da vida, nem as instituições públicas alguma vez entenderão a base das instituições cuidadoras e o envolvimento das emoções de todos nós face a quem sofre, único modo de provocar o nascimento da empatia que reside no cuidado de viver o sofrimento dos demais.


Um dia será a nossa vez de ser cuidado e que esse dia seja já fruto da luta incansável por um novo contrato social.


Há que saber onde esteve o limite.

 

Teresa Bracinha Vieira

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