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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


139. O LIVRO IDEAL

– O senhor anda sempre à procura do livro ideal. Mas não existe. 
Ramiro concordou.     
– Foi uma frase genial. Nunca a esqueci, até hoje.     
Anos e anos comprador e leitor compulsivo de livros, frequentava uma livraria, género biblioteca, bar e tertúlia, onde nos seus solilóquios mais íntimos desejava encontrar uma resposta à pergunta: “Qual o sentido da vida?”. Entenda-se: “o seu sentido último”.
De uma crença incondicional na literatura, ansiava por um livro que lhe desse a resposta, estabelecia prioridades e triagens nas suas consultas de escritos, leituras e compras, sentia-se a toda a hora insatisfeito, desarrumava livros já arrumados, deslocalizando-os e ordenando-os de novo, querendo arrumar o caos, o infinito, organizando-o e tornando-o finito.  
Gostava de filosofia, tinha consciência da insuperável insuficiência do conceito de Deus, acreditando existir um muro entre o mundo divino e o humano. Os livros eram um meio de o ajudar a encontrar a explicação última de tudo.   
Um dia, porém, ouviu de uma voz feminina, que o atendia e observava com regularidade, por entre uma miscelânea e enciclopédia de buscas, rebuscas e procuras insistentes, que não há um livro ideal.
– E é verdade. Nunca tinha pensado nisso!   
Disse, Ramiro, abanando a cabeça. 
Consciencializou, de vez, sermos imperfeitos e perfectíveis.


19.05.23
Joaquim M. M. Patrício

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