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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

  


As liberdades não são verdadeiras liberdades se ninguém ou poucos as aplicarem.

Acreditar que se vive em sociedades livres quando, em grande medida, a realidade é a das liberdades formais, conduz ao profundo equívoco de se pensar que se se tem direito à habitação, consequentemente se tem dinheiro suficiente para a adquirir.

Esta inverdade deveria conduzir à reflexão acerca das liberdades substantivas.

Questionarmos o pendor teatral a que ficam confinadas as liberdades em sociedades ditas mais desenvolvidas, quer em termos políticos quer sociais, e aferir o quanto podemos ser livres para reivindicarmos, mas que, se afinal, ninguém nos escutar as vindícias, qual a relevância da liberdade da queixa? até onde a ilusão de que assim muito ainda se pode mudar?

Registe-se também que mesmo hoje, o acesso diferenciado às mulheres em muitas profissões tem passado pelo menosprezo que se atribui às suas necessidades de independências pessoais, estas, base de toda a libertação.

Todavia, é grande a percentagem de mulheres que utilizam a não-liberdade para usarem com eventual humildade o grande poder de educar os filhos, de manipular presumidos estados de inocência ancestrais a seu favor, numa conceção de mando encapotado, o que, em última análise lhes seca a liberdade substantiva a que nos referíamos, e estagna o curso da história.

Sem sombra de dúvida que o raciocínio sedentário não questiona, em realidade, nenhuma situação no seu âmago, e se nos considerarmos pessoas livres nas sociedades contemporâneas porque não temos tiranos políticos, não surpreende então o muito que falta fazer para que se esclareçam as deficientes interpretações entre o que se vive e o que se poderá viver.

As liberdades não são verdadeiras liberdades se ninguém ou poucos as aplicarem, mas certamente, esta visão ainda parece bizarra.

Teresa Bracinha Vieira

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liberdades

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