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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MARIA ANDRESEN 

  


Costa Oeste

Ouvia o mar – quando o sono demorava – espalhando-se
em humidade salgada em todo o ar da casa, até aos lençóis da cama:
como em tudo na casa, há mar na cama
De manhã auscultarei a bruma, a promessa do sol
auscultarei as vagas, o seu porte, porque eu amo o poder do mar
Atravessaremos o pinhal, o forte cheiro das raízes molhadas, a áspera
proximidade da vegetação de duna – chorão, camarinhas, lírios de areia
e as suas gotículas de água
Iremos comprar pão à Serra, tomar café e ler o jornal entre moscardos
Ah mas ao fim da tarde, ao pôr do sol, é que o cheiro da duna rescendia
de uma tal vida… ! Depois das travessias do sol e das nortadas
O que eu não sabia…
(meu Deus eu não sabia nada)

in Lugares, 2010

West Coast

I could hear the sea – when sleep took its time – spreading
in salty humidity all over the house, even onto the bed sheets:
as with everything else in the house, there’s sea in the bed
In the morning I’ll see about the mist, the promise of sun
I’ll check out the waves, their height, for I love the power of the sea
We’ll walk across the pinewood, strong smell of wet roots, rugged
nearness of the dune’s vegetation – weeping willow, bear berry shrubs,
sand lilies, their droplets of water
We’ll buy bread up on the Serra, have coffee and read the paper with the flies
Ah, but when afternoon ends, when the sun sets and the dune’s scent springs
into such life…! After striding the sun and the north wind
So much I didn’t know…
(Good God I knew nothing)

© Translated by Ana Hudson, 2010
in Poems from the Portuguese

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