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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

«Se é o sonho que cria o homem, vou criar o sonho que me cria»
Maria Gabriela Llansol

 

  


Quando comecei a ler Maria Gabriela Llansol aquele estado de estranhamento que é a base da atitude filosofal, abriu-se a um outro tempo encontrado na proposta de uma fração infinitesimal, aquela mesma que se situa entre o que recordamos e o que percebemos.

Maria Gabriela foi e é um ponto luminoso de ideias e inspirações.


Entendi-a como uma lutadora incansável contra as normais solicitações humanas, procurando que a compulsão mimética não prevalecesse no seu íntimo, como um assalto constante a tudo e todos sabendo o quanto tudo se desvaneceria, enfim.

De Kafka, Camus, Goethe, Malraux, sempre numa tentativa algo oracular, procuramos dar rumo e sentido a um polo oposto da verdade que intuíamos existir, e esse percurso, também o fizemos mão-na-mão das seduções de Gabriela Llansol.

Por Dilthey, procuramos mesmo por entre as ciências da consciência e as da natureza, uma sociedade fora da universidade que nos foi proposta e que pouco ou nada permitia o pé em ramo verde, pé de fantástica afinidade pelo ensino de dentro de ângulos novos, quando tudo começa a ser predileção, depuração, condensação do pensar e do dizer.

Eduardo Lourenço afirma: «Qualquer texto de Maria Gabriela Llansol é um texto em que o laço com a realidade, no sentido banal, se nega e se transfigura numa outra espécie de texto, considerando-se aquela ofuscação positiva que só a música exprime, ou antes é. Viajemos por um texto qualquer, porque todos os textos de Maria Gabriela têm essa propriedade de serem um só texto e um texto diferente».

“Escrever é o duplo de viver” ou “a minha maior responsabilidade é contribuir para que um livro seja um ser”. Assim Maria Gabriela no seu livro “Falcão no Punho”.

A absoluta centralidade da linguagem com a qual pensamos, será sempre o que nos conduz às grandes perguntas gravitacionais, e só por aí o sonho que nos cria é o mais desejado e furtivo dos animais em nós:

um verso de Camões que ninguém iguala.

Teresa Bracinha Vieira

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