Foto de Luís Ramos
À memória de Maria Alzira Seixo
Foram vários anos de um convívio fecundo. No júri dos prémios literários Fernando Namora e Agustina Bessa Luís, Maria Alzira Seixo era uma presença fundamental. Muito beneficiei da sua amizade, das suas qualidades intelectuais, dos seus conhecimentos e capacidade de compreensão do mundo em misteriosa mudança. Era uma leitora insaciável, capaz de intuir em pequenos e subtis sinais o talento cultural e literário. Como comparatista ajudava-nos a olhar mais além. Houve assim um diálogo natural entre os diversos membros daquele grupo de exceção. Vasco Graça Moura pontuava ao pôr em prática um método que se revelaria muito profícuo, para, em aproximações sucessivas, se poder chegar a conclusões que se tornavam naturais na atribuição do reconhecimento às obras de autores consagrados e de revelação. José Manuel Mendes, Liberto Cruz, Maria Carlos Loureiro, Manuel Frias Martins, Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, a que se juntariam João Lobo Antunes e José Carlos de Vasconcelos constituíram um cenáculo em que se falava de tudo, do mundo e das letras, com total abertura, no qual o trabalho se organizava de um modo muito agradável, graças a um convívio que nos beneficiou a todos. E não se esqueça a memória antiga da presença de Agustina Bessa Luís naquele areópago.
O respeito mútuo permitiu sempre que houvesse uma grande abertura na apresentação das posições individuais. E o certo é que foram variando os procedimentos, tendo em conta os anos de melhor colheita e os tempos menos exuberantes. Aconteceu um ano que a escolha do prémio foi muito fácil, ao fim de uma rodada de intervenções, mas noutros momentos houve necessidade de um debate mais aturado. Tal era a regra. Maria Alzira ora convergia com Vasco Graça Moura nos remoques ao Acordo Ortográfico, ora se demarcava de se falar de uma “short list”, em vez de se referir uma “lista pequena”, que em alguns anos foi adotada. Vinham à baila vários autores e experiências. Acompanhámos a intervenção e o estudo de Maria Alzira quanto à obra de José Saramago e na edição ne varietur de António Lobo Antunes. Eram relatos de verdadeiro entusiasmo e de profundo conhecimento. Recordávamos vários amigos, como Eduardo Prado Coelho e todos ganhávamos quando alguém tinha uma opinião diferente ou contra corrente.
Nunca havia decisões previsíveis, uma vez que as leituras das obras concorrentes eram sempre exaustivas e fundamentadas. E assim beneficiávamos da qualidade de todos. E o facto de apreciarmos obras contemporâneas, num momento especialmente rico da criatividade portuguesa, isso permitiu que os debates fossem sempre muito estimulantes em torno dos melhores autores. O nosso saudoso Liberto Cruz foi sempre essencial. Vasco Graça Moura evidenciava-se nos seus certeiros julgamentos premonitórios. E Maria Alzira Seixo demonstrou sempre que ao apreciar os autores e as obras de cada ano pôde descobrir que a literatura nunca é indiferente nem previsível – é a vida inesperada em toda a sua pujança e na sua fragilidade.
Lidar com a eterna língua de Camões, como sempre no-lo ensinaram Vasco e Maria Alzira significava, no fundo, podermos ser dignos de uma extraordinária vitalidade que nos aproximou de Virgílio ou de Ovídio, não por qualquer despropositado orgulho, mas em homenagem às virtudes da literatura, já que ficção e realidade sempre se enriquecem mutuamente.
GOM
Detive-me aqui por uns instantes não para “comentar”…, este post, porque isso seria uma falta de respeito pelo seu autor. A minha intervenção pretende apenas manifestar o meu espanto pelo facto de não se ter aproveitado para se fazer o elogio da leitura nos tempos livres. A população portuguesa, tanto quanto sei, situa-se na cauda da UE em termos de hábitos de leitura, pelo que uma palavrinhas àcerca dos beneficios da leitura seriam muito bem vindas para atrair gente para a leitura. O autor deste post tal não entendeu, não o critico por isso, mas que fico com muita pena lá isso fico. Nos tempos livres leio um pouco jornal, revista, livro (escolhidos por mim), pela saúde do meu cérebro. Educar para a leitura nos tempos livres é necessária e urgente. Melhores cumprts.
Lendo os diversos textos que publicamos, é fácil apercebermo-nos de que a leitura nos tempos livres, e em todos os tempos é fundamental. Importa considerar isso mesmo! Muito obrigado!
Penso q sugerirem-se /recomendarem-se leituras para os tempos livres não fará sentido (e até poderá ser prejudicial), na medida em que cada leitor deve escolher a revista, o livro ou jornal do seu agrado para ler. A nivel profissional é evidente q a sugestão/recomendação de objectos para leitura fará sentido, agora como ocupação dos tempos livres não. Cada leitor deve fazer-se ao caminho, procurar/descobrir aquilo que é do seu agrado para o bem ou para o mal, digo isto porque infelizmente andam a “vegetar”… pelo mercado muitos livros sem qualidade e que só servem para deitar ao lixo. Nos tempos livres leio um pouco, porque a leitura é um bomremédio para o c´+erebro. Mcumprts. fl
Muito agradecemos os comentários, que são da maior utilidade!
Sobre o texto em apreço direi q não faço juizos de valor, porque o q os outros dizem e escrevem é a sua verdade, q respeito e considero sagrada e inviolável. Depois ninguém ganharia nada com a minha apreciação nem a mesma acrescentaria nada em lado nenhum. No entanto li este texto e fico sem perceber 2 coisas, 1ª – a quem será dirigido o conteúdo deste post ? 2ª. – porq será q o autor deste escrito não aproveitou para fazer o elogio da leitura nos tempos livres, sendo do conhecimento público q a população portuguesa se situa na cauda da UE em termos de hábitos de leitura ? Há q desmistificar o livro, a leitura (nos tempos livres), robustecer a nossa educação para a leitura, a fim de atrairmos e chamarmos para a leitura milhoes de portugueses que não têm hábitos de leitura e nada lêem. A meu ver, dizer aqui o que leio não tem qualquer interesse e não ajuda nada a quem nada lê, o importante é dizer-se porque devemos ler. Eu leio um pouco – livro, revista, jornal -, nos meus tempos livres, para lubrificar os neurónios e me educar. Quem lê tem mais saúde. Mcumprts.
Este post será uma aula de literatura (?) e não estando em causa (nem nunca poderia estar) a sua qualidade literária só não entendo a quem o mesmo é dirigido. Será aula, lembrete de literatura ou coisa do género ? dirigida/o a quem ? Penso muito sinceramente q este texto está deslocado aqui e agora, uma vez q não é o lugar certo. A propósito tem este Blog CNC como bandeira apregoar q este é um espaço de diálogo, de diálogo ? Só se fôr em modo “monólogo” já q um dialogo pressuopõe q um grupo de pessoas concertem vontades a fim de se escolher um tema a ser dabatido pelos interessados. Não é muito apropriado dialogar sobre um tema escolhido unilateralmente. É preciso sim, dialogar com os leitores e saber o que os mesmo pensam sobre a leitura nos tempos livres. Nos tempos livres leio um pouco _ jornal, revista livro – para lubrificar os neurónios. Cérebro saudável ajuda em tudo. Erudição e cultura não ajudam em nada. Nos tempos livres ler um pouco fortalece o cérebro. hmm !?
Sim haverá diálogo se houver quem escreva e diga de sua justiça.
Estamos muito disponíveis. Escrevam, digam. Somos um espaço aberto e disponível.
Aguardamos a vossa opinião.
Ler é usufruir de quem escreve e fala. E considerar quantos ao longo dos séculos têm intervindo!