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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A Vida dos Livros

A VIDA DOS LIVROS, por Guilherme d’ Oliveira Martins

(de 8 a 14 de Dezembro de 2008)  

 

Lisboa, História Física e Moral” de José-Augusto França (Livros Horizonte, 2008) é uma obra de minúcia, muito bem escrita por um conhecedor profundo da cidade de Lisboa e das suas histórias paralelas, sobrepostas e cruzadas. E se é certo que o autor se afirma “contemporanista”, a verdade é que aquilo que nos é dado neste livro de cerca de 870 páginas é uma leitura de quem sabe que apenas se pode entender uma cidade se soubermos as suas raízes e o caminho seguido – povoado de vidas e de espírito, de realidades físicas e morais. Antes de entrar na obra, importa fazer uma referência ao editor, Rogério Moura (1925-2008), que nos deixou há poucos dias e que foi um animador desta que viria a ser a sua última publicação. Em boa hora insistiu com o autor, e o resultado é largamente positivo. Havia que contribuir para que o público conhecesse melhor a cidade, não a partir de considerações académicas, mas segundo uma análise rigorosa que pusesse ao dispor de todos uma obra informada e culta de um erudito que se apresenta como experimentado e acessível peregrinador olisiponense.

 

VINTE E TRÊS PISTAS

“Não se trata de fazer nesta obra história do urbanismo nem da arquitectura, nas especificidades das suas disciplinas, para além do necessário, quando de organização urbana e de edificação da urbe se trata” – afirma-nos o autor. Do que se trata é de olhar a cidade no tempo, com os seus elementos de continuidade e descontinuidade – “as pedras mortas, que se acumulam por protecção, e as vivas (…) que lhes dão sentido e necessidade, devem ser correlativas, para que a cidade exista em sua coerência”. E assim há vinte e três momentos que José-Augusto França destaca e servem de referência permitindo fazer a história da cidade como corpo vivo: a conquista de Lisboa (1147); a revolução joanina (1383); os painéis de D. Afonso V (1471); o mosteiro dos Jerónimos (1501); a batalha de Alcântara (1580); a visita de Filipe II (1619); a revolução do 1º de Dezembro (1640); a procissão do Corpus Christi (1719); o terramoto do 1º de Novembro (1755); a estátua equestre (1775); a basílica da Estrela (1789); o palácio da Ajuda (1802); a entrada do exército liberal (1833); as “Conferências do Casino” (1871); o Zé Povinho (1875); a Avenida da Liberdade (1879); o “grupo do Leão” (1885); a revolução do 5 de Outubro (1910); a revolução do 28 de Maio (1926); a Exposição do Mundo Português (1940); o Metropolitano e a Ponte (1959-1966); a revolução de Abril (1974); Exposição mundial (1998). Estes símbolos ou acontecimentos permitem, a partir do critério que o autor escolheu (e que é adequado aos fins pretendidos) compreendermos as personagens e os factos, já que os ligamos a elementos que conhecemos e podemos situar diacrónica ou sincronicamente. Se seguirmos o índice analítico (os diversos índices são, aliás, preciosos instrumentos de trabalho), vemos uma preocupação compreensiva que nos guia sucessivamente pela Pré-História de Lisboa, entre o sítio e os habitantes; pela Lisboa Antiga, romana e muçulmana; pela Lisboa Medieval, desde a conquista aos prolegómenos da expansão; pela Lisboa Manuelina, do Paço da Ribeira à celebração da grandeza imperial; pela Lisboa Maneirista, da glória à perda da independência; pela Lisboa Filipina, na primeira cidade peninsular condicionada pela “Corte na Aldeia”; pela Lisboa Barroca, regressada à condição de capital, entre dúvidas e intrigas; pela Lisboa Joanina, como cidade opulenta que deseja modernizar-se; pela Lisboa Pombalina, que se torna símbolo de uma nova atitude e de uma nova mentalidade; pela Lisboa Oitocentista, de um século longuíssimo de mil mudanças e conflitos, desde as invasões francesas ao Ultimatum inglês, passando pelas guerras civis e pela liberdade regeneradora; até à Lisboa Novecentista, do republicanismo à Expo-98, passando pelo Estado Novo e pelo reconquista da liberdade.

 

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Guilherme d’ Oliveira Martins

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