auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

António Alçada Baptista

ANTÓNIO OU A SOLIDÃO DERROTADA…

Por Guilherme d’Oliveira Martins

                                                                   

“Ao ir-me afundando no cepticismo racional, por um lado, e, por outro, no desespero sentimental, incendiou-se-me a fome de Deus, e o sufoco do espírito fez-me sentir, com a sua falta, a sua realidade. E quis que haja Deus, que exista Deus. E Deus não existe mas antes sobreexiste e está sustentando a nossa existência existindo-nos”.

Miguel de Unamuno

 

Vou-me repetir, mas fazê-lo é a reiteração da amizade e da admiração que tenho por António Alçada. Tenho tido o privilégio, na minha vida, de conhecer pessoas que se singularizaram pela boa influência que tiveram e pela extraordinária riqueza das suas vidas e obras. Este é um dos casos que ilustram esse meu especial orgulho. Como um Diógenes afectuoso sempre o vi empunhando a lanterna que procura a verdade e a amizade, que, longe dos dogmatismos e da rigidez, tendem a abrir horizontes, a delinear novos caminhos e a pôr as pessoas no centro dos acontecimentos e da História. José Bergamín disse que se fosse objecto era objectivo; como era sujeito era subjectivo – e António repete-o e sente-o…

 

O António Alçada Baptista foi-me dado na adolescência, na primeira série de "O Tempo e o Modo", nas colecções da Moraes, na "Peregrinação Interior" e nas suas crónicas, que lia religiosamente. E não esqueço como me levou até, por exemplo, à poesia Alexandre O’Neill, e do que esta significava de natural complemento do que o António nos dizia: "Quem? O infinito? / Diz-lhe que entre. / Faz bem ao infinito / Estar entre gente." Abandono Vigiado (1960). Assim como não esqueço o ter-me feito gostar ainda mais do Brasil, a partir de Alceu Amoroso Lima e da amizade com Odylo Costa, filho, até Jorge Amado ou ao extraordinário João Guimarães Rosa – o mesmo que dizia: “vivendo se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas” ou que “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demónio não precisa de existir para haver”. E um dia o António lembrou que “a Carta de Pêro Vaz de Caminha dá-nos talvez o único exemplo que conheço de duas civilizações que se encontram uma com a outra a dançar e não a guerrear-se”. Senti-o pessoalmente nas ruas da Bahia, num dia em que na Fundação Jorge Amado o António foi o grande ausente, sempre lembrado.

 

Para continuar a ler clique aqui

Tags

notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *