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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CAMILLE BOURNIQUEL (1918-2013)

Morreu Camille Bourniquel. Era o diretor literário da revista Esprit (1958-1977) quando António Alçada Baptista estabeleceu uma especial ligação com o grupo intelectual dirigido por Jean-Marie Domenach. www.esprit.presse.fr.  Juntou-se à equipa de Emmanuel Mounier em 1946, depois de ter feito a guerra e da resistência. A sua produção foi bastante fecunda e a sua sensibilidade merece atenção. Lembramo-nos do pequeno livro maravilhoso sobre Chopin ou da viagem mágica à Irlanda nas coleções de divulgação criadas por Paul Flamand (Seuil). Foi Prémio Médicis em 1970 com «Sélinonte ou la Chambre Impériale» e Prémio de Romance da Academia Francesa pelo título significativo «Tempo» (1977). A sua última obra foi uma invocação sentida de Paul Valéry – «Dernier Dîner à Auteuil». Nele o talento exprimia-se pelo culto da dignidade humana. Poeta, crítico, artista plástico, romancista – foi sobretudo alguém que compreendeu a criação artística como um ato total, envolvendo as diversas formas de exprimir os sentimentos humanos. A sua biografia está acessível a quem a deseje conhecer. Neste momento, permitam-me que invoque apenas uma preciosidade artística de que Bourniquel foi um dos autores. Em todo o mundo, os colecionadores disputam por preços elevadíssimos «La Féerie et le Royaume», uma edição de dez litografias de Chagall, reproduzidas em cerca de duzentas cópias autografadas pelos autores. Bourniquel e Chagall dialogam. É uma obra de uma beleza extraordinária. É uma preciosidade artística do século XX. O tempo guardá-la-á como símbolo da sensibilidade contemporânea, e Bourniquel dá-nos a chave poética e literária através de uma capacidade única de exprimir a dignidade e a espiritualidade. Bastaria esse pequeno tesouro para jamais o esquecermos…

Guilherme d’Oliveira Martins

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