POEMA 18
Só numa refletida Acrobacia Se descobre Que as coisas Nem sempre estão No lugar onde se captam Teresa Bracinha Vieira ( In “A Nau e os Dias” ed.1999 Dinalivro)
O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.
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Só numa refletida Acrobacia Se descobre Que as coisas Nem sempre estão No lugar onde se captam Teresa Bracinha Vieira ( In “A Nau e os Dias” ed.1999 Dinalivro)
QUE PREGUIÇA (Quina mandra) Ai que preguiça viver, hoje que não faz vento e as pedras são prostradas por um calor tardio! O bosque despiu-se. Há papéis sujos de humanas misérias. O pudor presente afoga velhas lembranças de perfumes velhos. Este é o meu bosque, que apareceu quando ruíram todos os antigos mitos. […]
Envolvia a ânfora e seu segredo Fonte oculta em que mergulhava A minha mão A minha vida Agora visitante ao mausoléu Onde a tua Para não trair o ritmo transbordante do nosso coração Núbia e ardente se encontrava com a minha E ambas decifravam forças, saberes insuspeitados Espaços-encruzilhadas Danação Incompletude Teresa Bracinha Vieira
Não me ouves chamar ó ilha dos amores Para que hoje te cante e seja esta noite De novo a tua/ nossa magia A vara do nosso barco Teu coração pousado Doado num abandono Entregue ao tempo do nascimento de uma mudança Tão veloz Que o céu se desenraizou e veio a nós Suspirar entre […]
A mais alegre entre as manhãs Foi aquela de Maio O meu amor passeava-se pela rua E seus parentes vieram à boda Assistiram à missa nova Cantando as epístolas da estrela maior O meu amor De rosa na mão Colocou a carta no correio Aquela em que agradecia o céu na terra A casa […]
«Lo que cuenta no es mañana, sino hoy. Hoy estamos aqui, mañana tal vez, nos hayamos marchado» «Amada pastora minha, Teus repentes me maltratam, Os teus desdéns atormentam-me, Teus desatinos me matam. (…) Parti uma vez de ti (…) ditoso o pastor que alcança Tão prazenteiro fim de sua esperança! De pano barato a […]
A história da literatura japonesa também se encontra dividida em vários períodos. O período Heian nome da capital da época, Heian-Kyo, atual Kyoto foi marcado especialmente pela poesia. No Japão – final do séc. VIII até ao final do séc. XII – a forma poética tanka brilhou pelas mãos de duas mulheres: Izumi Shibiku […]
Minha Princesa de mim: Dizes que te tenho escrito muito pouco, quase nada. Amigos meus também me mandam recados, aconselhando a que não me isole tanto… E todas essas vozes me soam distantes, indistintamente as ouço. Sem querer parafrasear o António Alçada Baptista, sinto-me em peregrinação interior. Talvez porque a necessária arrumação […]
Sim, haverá uma colmeia E nela eu Abelha Na minha meia-noite Numa plenitude de asas Vou erguer-me E vou Parto da noite para o dia Galgo o mel E logo vejo À beira do céu A estrela azul Ló onde O tempo afinal Entregue ao descanso Das pedras tecidas com fio de seda e […]
Minha Princesa de mim: Previa-se mais chuva, mas a manhã surpreende-nos com um sol já primaveril. Talvez de pouca dura, mas ofereceu-me uma visita à “minha” cerejeira do Japão, prometedoramente coberta de rebentos anunciadores de sakura em flor, beleza mágica e efémera. Encheu-se-me o coração de memórias do Japão, sobretudo dessa ternura de comunhão […]