auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

TEMPO DE FÉRIAS…

TEMPO DE FÉRIAS… MARIA KEIL À BEIRA RIO

MARIA KEIL À BEIRA RIO

Memórias antigas! Ah! Duas crianças a refrescarem-se nos dias de verão. Que prazer extraordinário tirar os sapatos e chapinhar na borda do riacho, nas águas límpidas, a ver os pequenos peixinhos a passar, assustados, a ouvir as cigarras e a olhar o labor inusitado das formigas… E vem à lembrança, sempre, o conto da princesa que guardava patos… No entanto, a imaginação é fertilíssima. E lá está a espreitar um coelho, placidamente a ver os dois meninos. Em primeiro plano, as flores silvestres são verdadeiras, e dizem-nos que o painel está entre a realidade e o sonho. As duas crianças existiram, a artista eternizou-as, e nós lembramo-nos ali mesmo de fazer o que elas fazem.

 

Maria Keil, à medida que o tempo vai andando, torna-se uma das ilustradoras fundamentais do século XX português… O que Sophia é para o conto em Portugal é Maria para a ilustração. Aliás, falando da autora da «Menina do Mar», temos de lembrar também Matilde Rosa Araújo, e tudo o que fez para dar a língua no mais puro de si a todos os jovens leitores ávidos de bons motivos para voar…

 

E oiçamos um poema inesperado de Maria Keil:

Habito as distâncias
vivo dentro das distâncias

as tuas mãos, o teu rosto,
a claridade, que pelos teus olhos… 
o mundo, que pelos teus olhos… 
povoam as minhas distâncias. 
Sabias? 
Não. Ninguém sabe de ninguém os mundos 
que cada um habita.


A partir desta imagem, podemos pensar um conto. E quem conta um conto acrescenta sempre um ponto. Como boa algarvia, Maria Keil sabia bem que a magia dos contos fantásticos é inesgotável!

 

CNC

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *