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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

O HOMEM: QUESTÃO PARA SI MESMO (4)

  4.  Somos livres?   Esta é a pergunta decisiva. De facto, se não somos livres, o que se chama dignidade humana pode ser uma convenção, mas não tem fundamento real. Mas quem nunca foi assaltado pela pergunta: a minha vida teria podido ser diferente? Para sabê-lo cientificamente, seria preciso o que não é de […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

  Poema de Ana Hatherly     O Terceiro Corvo   Oh LisboaComo eu gostava de serO terceiro corvo do teu emblemaEstar implícita na tua bandeiraNegra e brancaComo tinta e papelComo escrita e espaço! Ser teu desenhoTua nova lendaInvenção deste séculoQue já não inventaE se interroga:Donde vieram estes corvos? Como tu, Vicente,Eu também não sou de cáNão sou daquiNão pertenço a esta terraE talvez nem sequerPertença a este mundo… Porém estou aquiNesta dolorosa praia lusitanaCheia de um tumulto inútilQue enegrece as tuas areiasE polui o ventre do rioQue os golfinhos há muito desertaram E olhando as nuvens dedilhadas pelo ventoSentindo a terna dor do teu sentir sentidoPeço-te, LisboaSurge de novo belaReinventaA santidade perdida do teu emblema in Itinerários, 2003   The Third Crow   Oh LisbonI would so like to beThe third crow in your shieldTo be implicit in your flagBlack and whiteLike ink and paperLike script and space! To be your drafted shapeYour new legendInvention of this centuryThat no longer inventsAnd wonders:Where have these crows come from? Like you, Vincent,I’m not from these partsNot from this placeNot from this landAnd perhaps I don’t evenBelong to this world… Yet here I amOn this sorrowful Lusitanian beachFull of a useless turmoilThat blackens your sandsAnd pollutes the river’s wombLong abandoned by the dolphins And seeing the clouds fingered by the windFeeling the gentle pain of your felt feelingsI beg you, Lisbon,Rise again in beautyReinventThe lost sanctity of your shield   © Translated by Ana Hudson, 2010

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XXXI.  História longa – Memória rica…

Recordando António Alçada Baptista, termino o Folhetim de 2024 com uma dedicatória à língua portuguesa ou ao livro da nossa língua que maior projeção mundial tem. De facto, é uma obra pioneira na literatura mundial. Mais do que um livro de viagens, trata-se de um modo inteiramente novo e original de fazer uma narrativa. Com […]

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XXX.  Recordar Camões no Quinto Centenário do seu Nascimento

 Camões é um todo que, se soubermos lê-lo, nos enche de ventura, não sendo por acaso símbolo pátrio. A sua obra multifacetada está na encruzilhada das grandes componentes culturais das nossas letras. A lírica é inultrapassável, na tradição trovadoresca, a épica ombreia com a melhor tradição clássica, e todos os géneros que o autor pratica […]

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XXIX.  A busca de uma identidade: que cultura portuguesa? (2)

Como disse Sophia de Mello Breyner: «Me dói a lua me soluça o mar / E o exílio se inscreve em pleno tempo» (Livro Sexto, 1962). Como Unamuno bem pressentiu e Eduardo Lourenço interpretou, com rigor e perfeição, somos feitos de lirismo e de história trágico-marítima – sem esquecer o picaresco, que salienta António Tabucchi, […]

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XXVIII.  A busca de uma identidade: que cultura portuguesa? (1)

De que falamos quando referimos a Cultura Portuguesa? De continuidades e de mudanças, de características singulares e de convergências, de identidades e diferenças, de desafios e respostas. Não basta um sobrevoo na cultura geral, que mais não significa do que um contacto superficial com a criação e a arte, esquecida da complexidade, do que avança […]

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XXVII.  O universalismo da cultura portuguesa: língua como fator de diversidade e de encontro

O idioma é essencial para a afirmação de uma identidade, mas também para enriquecer pelo diálogo culturas e civilizações. A língua portuguesa projetou-se em todos os continentes. Quando falamos dela, consideramos uma longa história, a partir do galaico-português, língua antiga, que cedo alcançou assinalável maturidade. O português ou o espanhol jamais foi dialeto um do […]

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O HOMEM: QUESTÃO PARA SI MESMO (3)

  3. O contributo da literatura   Enquanto regi a cadeira de Antropologia Filosófica na Faculdade de Letras, em Coimbra, esforcei-me sempre por aliciar os estudantes para a leitura da grande literatura mundial, concretamente das tragédias e dos romances, na convicção de que seria esse um dos lugares indispensáveis para poderem penetrar de modo substancial […]

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