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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE RAQUEL NOBRE GUERRA 

  


Quem nunca hesitou na paragem do 28

Quem nunca hesitou na paragem do 28
e pensou: ali vai a metáfora da minha vida.
E nem por pensá-lo escapou ao açude
de mandar parar tanta gente só por si.
Não é possível ser feliz com tanta correspondência
e entre nós que vamos em itinerários românticos
a cruz na porta da tabacaria é tão-só o aviso
para lavar a cabeça contra o pessimismo.
Se não te aconchega o lumaréu de estar vivo
não te aflijas quando predizem a meteorologia
uma estação no inferno será sempre o destino.

2016, Senhor Roubado
Douda Correria
© Raquel Nobre Guerra

Who hasn’t ever hesitated at the 28 bus stop

Who hasn’t ever hesitated at the 28 bus stop
and thought: there goes my life’s metaphor?
and not even for thinking this, do you manage to escape
the weir that alone stops so many people.
It’s not possible to be happy with so much correspondence
and between ourselves who set off on romantic itineraries
the cross over the tobacconist’s is but the notice
to have your hair washed against pessimism.
If the little fire of being alive doesn’t cosy you up
don’t fret about the weather forecast
a station in hell will always be your destiny.

© Translated by Ana Hudson, 2020
in Poems from the Portuguese

 

Comentário sobre “POEMS FROM THE PORTUGUESE

  1. Pinhal do REI
    As noites vão altas
    Medonhas e frias
    Acordem Marias!
    De Monte Real
    De Vieira e Carvide
    Do Casal dos Claros
    Da Escoura e Garcia
    Da Serra do Porto do Urso
    Do Segodim e Amor
    Acordem Marias!
    Marias estremunhadas
    Cangas nas vacas
    Carro atrelado
    Avancem Marias!
    Espicacem as vacas
    Quando o Sol nascer
    As entradas a,b,c,d,e,f….
    Vão ceder
    Avancem Marias!
    É mais perto do mar
    Que o estrume
    Não está a acabar
    Trabalhem Marias!
    Ancinhos nas mãos
    Carumas amontoadas
    Forquilhas nas mãos
    Montes nas carradas
    Voltam as Marias
    Extenuadas
    E os guardas
    Com espetos de muitas polegadas
    Três vezes espetam as carradas
    Não fossem as Marias fragilizadas
    Pegarem
    Em pinheiros
    E enfiarem
    No meio das carradas
    – Grandes Marias!-
    SPA, 2023

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