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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ANA MARQUES GASTÃO Anel de Chamas Adormece a meu lado, a rosa sulfúrea,amarela de enxofre, aurífera, metálica.Firme em seus densos, espessos capítulos,tem o pedúnculo exaltado em firmezainsegura de amante e matéria de treva.Guarda do fogo o calor, do âmbar a rotaindolor. Ó tu, verónica prostrada,misteriosa em tua natureza fremindo, sêartéria, mansa cor, antes […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

  POEMA DE ANA MARQUES GASTÃO       Vinho hipocraz Jamais saberei a distância dos lábiosao nariz ou da faúlha a chão luminoso.Somos sempre menos do que de maisbelo fizemos e do mais, ingratos,esquecemo-nos. Da soletração levamoso vinho hipocraz, do frio a água, do fogoo vapor de um sopro abafado a perdiz. Se me olho sem nome e me vejo numnome onde tudo e nada trago, saboreio,botão a botão o fruto, o lascar da pedra,o corte áspero da foice. Sou a altura doque oiço, a cegueira do que como e, quandobebo, entrega-se o corpo a um sono demorte que transformo em outro caminho. Mas se é luz que vejo num céu-da-bocade frases rasas e quentura gémea,que se solte a língua da boca, os cabelosda cabeça, se rasgue a memória vedada,véu de uma suave, amarrada linha de fiode prata e granulado funcho, e eu adormeçade lábios e gosto no peito de meu amado. in Adornos, 2011   Hippocras wine I will never know the distance from the lipsto the nose or from the spark to the fire-lit ground.We are always less than that we have mostbeautifully done and everything else, ungrateful,we forget. From the spelling we takethe hippocras wine, from the cold the water, from the firethe vapours of braised partridge. If I look at my nameless self and see mein a name to which I bring everything and nothing, I taste,bud by bud, the fruit, the slicing of the stone,the harsh cut of the sickle. I am the loudnessof what I hear, the blindness of what I eat and, whenI drink, my body is abandoned to a deadlysleep that I turn in another direction. But where I to see light inside a palateof even sentences and congenial warmth,let then the tongue be loosened in my mouth, the hairof my head, let the forbidden memorybe torn, veil of a softly fastened line of silverthread with fennel beads, and let me sleep,lips and pleasure, on the breast of my beloved. © Translated by Ana Hudson, 2010

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