Consideremos um mundo de pequenas coisas,
um mundo de direções:
por aqui a primavera e por ali o inverno; por aqui as dores e por ali as omissões; por aqui as felicidades,
por ali os errantes; por aqui o mar, por ali os apelos
E, muito por aqui e por ali,
os lugares onde se renova a luz
Eis então que as sedes criam tantos mundos que te escrevo para o apartado do teu ouvido,
pois que sabes que tudo é surpresa
e que encontraremos uma forma que ainda não nasceu,
mas que se contém na pergunta,
exatamente naquela do grande sopro de todos os efémeros tempos,
entre miséria e música,
naquele preciso caminho que envolve e não domina
Consideremos um mundo de pequenas coisas,
na superfície isenta de uma página
Consideremos a dança livre enfim no seu começo; no começo de um quase nada
que é todo o seu nascer
Teresa Bracinha Vieira