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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA   Escatologia E, por fim, Deus regressacarregado de intimidade e de imprevistojá olhado de cima pelos séculoshumilde medida de um oral silêncioque pensámos destinado a perderEis que Deus sobe a escada íngrememil vezes por nós repetidae se detém à espera sem nenhuma impaciênciacom a brandura de um cordeiro doenteQual de nós […]

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Poesia

POESIA

ODISSEIA (5) XXIII A morte é a raiz que lhe falta dentro e fora dela. A morte só se apoia. XXIV Numa pausa concertada. O olhar longe numa ideia que é parte de cá e de lá. O olhar numa entrega sem nada mais. Sem a pergunta desnecessária. Estorvo. XXV Também nos aproximamos de tudo […]

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A Vida dos Livros

A VIDA DOS LIVROS

 De 27 de novembro a 3 de dezembro de 2023 No centenário do nascimento de Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), invocamos a sua obra multifacetada, designadamente «Os Insubmissos» (1961), além da poesia e ensaio, onde se encontram as raízes da cultura e a compreensão da importância da emancipação humana. “A Primavera vem dançando / com seus […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE JOSÉ MIGUEL SILVA    Morangos Silvestres – Ingmar Bergman (1957) Um ser humano é um combinado de egoísmo,sofrimento e necedade. Não comove ninguém.Uma pedra não comove ninguém. A belezaé um acidente banal e pressupõe a morte;muitas vezes se rodeia de sandice, e se nos fala,chega a ser assustador. A inteligência, refrescantecomo um duche, sabe […]

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Poesia

POESIA

ODISSEIA (4) XVI    Quando pouco a pouco o ouvido aprende a ensurdecer, o amor tem forma de mão. XVII   Se quanto mais vivos mais morremos, tudo afinal nos abandona, até o amor, essa grande companhia. XVIII   Submete-se até a zona das perguntas para que o mundo se não repita tanto, para que […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA    Cão Envelhecemos lado a lado, meu amigo,companheiro das sinuosas veredas de cardos eurtigas,guardador dos rebanho brancos e de cadasolitária rosa dos meus dias,calámo-nos juntos, meu amigo,companheiro de maculada voz,e agora já não poderei levar-te desta margem àsoutras margens,onde havias de suavizar, ternamente, as minhasferidas.Sei que em breve te direi adeus.Tenho […]

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Poesia

POESIA

ODISSEIA (3)  XI Em bodas nunca vistas, antes mesmo da luz no cálice ser outro tanto ou mais que uma pomba, guardou-se o luto pelo anjo que não morreu de mal de amores. XII    Se o meu olhar for capaz de se despojar de si, terei a prova: o esquecimento não existe. XIII   […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE JORGE SOUSA BRAGA O apanhador de cogumelos O mais difícil não é distinguirentre um boleto pão-de-ló e umboleto-de-satanás o mais difícilnão é andar quilómetros e quiló-metros por uma floresta e chegarao fim com os pés enxutos.O mais difícil é não sucumbirà beleza desse mundo que sealimenta de detritos em putre-facção e onde não […]

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Poesia

POESIA

ODISSEIA (2) VI   A metalinguagem é lava que só um pássaro habita no chamado da ideia. VII   As cores têm nas suas bolsas outras cores, outras perseveranças, aquelas mesmas que nos respondem à pergunta se estaremos juntos para sempre quando não estivermos em lugar algum. VIII   Se cada poema faz esquecer o […]

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