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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MARGARIDA VALE DE GATO    Condições Mínimas Esta sarça é interdita a matilhas;há que mudar a pele para comero fogo. Não que eu faça renderqualquer talento, ou tenha em vasilhassemi-intactas ilustres maravilhas:uma lista de coisas a fazer,solidão, pedra de isqueiro, um revólver,e um aparelho já com pouca pilhae que só uso eu; a nós […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MANUEL DE FREITAS    Num livro de Dylan Thomas Passados seis anos, pouco mais serásdo que isto: o marcadorque assinaste, subitamente descoberto,uma frase que poderia ser um verso(«nunca consegui amar nunca»)a meio de um livro e da minha vida.Esqueçamos, por esta vez, os desencontros,a sombra magoada com queos teus lábios pousaram sobre papelde […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MANUEL ANTÓNIO PINA    As coisas Há em todas as coisas uma mais-que-coisafitando-nos como se dissesse: “Sou eu”,algo que já lá não está ou se perdeuantes da coisa, e essa perda é que é a coisa.Em certas tardes altas, absolutas,quando o mundo por fim nos recebecomo se também nós fôssemos mundo,a nossa própria […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE LUÍS FILIPE PARRADO    Partes de um todo Esta tarde, sentado num banco do jardim,tentava ler um livro difícilenquanto esperava por ti.O livro tornava mais dura, mais penosa, a espera.Então levantei os olhos das páginas,pousei o livro, vi um homem novoaproximar-se e passar à minha frentecom um saco de plásticocom maçãs vermelhas numa […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE LUÍS FELÍCIO    repito a inexorável argúcia dos salmos repito a inexorável argúcia dos salmose amo os portais abertos diante da força da águatento compreender o meu tempoe o imponderável intuito do poemanão tenho outros olhos nem outras mãosjá não me mostras imagensmas eu vejo as heras fazendo lábiossombrios por interjeição e bafosou […]

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Poesia

POESIA

ODISSEIA (6) XX   Se existir um leitor que reúna qualquer dia com o próprio dia, para ele escreverei no sentido de o ouvir, no sentido de abrir coisas, no sentido de me dizer da morte antes do nascer e do que significam as coisas antes de significarem. XXI   Existe sim, uma arte no […]

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POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA   Escatologia E, por fim, Deus regressacarregado de intimidade e de imprevistojá olhado de cima pelos séculoshumilde medida de um oral silêncioque pensámos destinado a perderEis que Deus sobe a escada íngrememil vezes por nós repetidae se detém à espera sem nenhuma impaciênciacom a brandura de um cordeiro doenteQual de nós […]

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ODISSEIA (5) XXIII A morte é a raiz que lhe falta dentro e fora dela. A morte só se apoia. XXIV Numa pausa concertada. O olhar longe numa ideia que é parte de cá e de lá. O olhar numa entrega sem nada mais. Sem a pergunta desnecessária. Estorvo. XXV Também nos aproximamos de tudo […]

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