auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Lista de artigos

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE DANIEL JONAS    Dente-de-Leão A juba encanecida do dente-de-leão.Eu soprei-a como velasde aniversáriose ele envelheceu anos.Ali, tão calvo agora, o ancião,um leão glabroentupido de testosterona,um Sançãocom a sua cerviz rentedescravandodos quadris da fêmeaa fome de uma semente. in Passageiro Frequente, 2013 Dandelion A ring of birthday candles,I blewthe dandelion’s hoary maneand how much […]

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE BÉNÉDICTE HOUART    há colares que são coleiras há colares que são coleirashá mulheres que são cadelascertos homens, cães raivososos cães propriamente ditosnão foram para aqui chamadosembora metam o nariz em todo o ladofarejando coisas imagináriase, de resto, não falam, ladramtêm com certeza razão in Vida: Variações, 2008 some necklaces are collars some necklaces […]

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO Abandono-te todas as noites Abandono-te todas as noites,Troco-te pelos outros,Por mimOu pelo simples sono que sempre me enganouDesde criança. Deixo-te ficar tantas vezes à luz duma velha luaDe queixo retorcido e rainha das bruxasE em lugares frequentados por cães que defecamCom o mudo amor dos donosSigilosamenteÀ trela. Não devias esperar.Este amor […]

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ANTÓNIO CARLOS CORTEZ   Depois da carne Depois da carneÉ que os ossos se magoamE o rostoRecupera da fadigaE das memórias Depois da carneQuando os dedos se encontramSabemos que são outrosOs rostos mais reaisQue nos povoam. in À Flor da Pele, 2008   After the flesh It’s after the fleshThat the bones hurtAnd the faceRecovers from fatigueAnd from memories After the fleshWhen our fingers meetWe know the most real facesThat inhabit usAre those of others. © Translated by Ana Hudson, 2011

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

  POEMA DE ANA MARQUES GASTÃO       Vinho hipocraz Jamais saberei a distância dos lábiosao nariz ou da faúlha a chão luminoso.Somos sempre menos do que de maisbelo fizemos e do mais, ingratos,esquecemo-nos. Da soletração levamoso vinho hipocraz, do frio a água, do fogoo vapor de um sopro abafado a perdiz. Se me olho sem nome e me vejo numnome onde tudo e nada trago, saboreio,botão a botão o fruto, o lascar da pedra,o corte áspero da foice. Sou a altura doque oiço, a cegueira do que como e, quandobebo, entrega-se o corpo a um sono demorte que transformo em outro caminho. Mas se é luz que vejo num céu-da-bocade frases rasas e quentura gémea,que se solte a língua da boca, os cabelosda cabeça, se rasgue a memória vedada,véu de uma suave, amarrada linha de fiode prata e granulado funcho, e eu adormeçade lábios e gosto no peito de meu amado. in Adornos, 2011   Hippocras wine I will never know the distance from the lipsto the nose or from the spark to the fire-lit ground.We are always less than that we have mostbeautifully done and everything else, ungrateful,we forget. From the spelling we takethe hippocras wine, from the cold the water, from the firethe vapours of braised partridge. If I look at my nameless self and see mein a name to which I bring everything and nothing, I taste,bud by bud, the fruit, the slicing of the stone,the harsh cut of the sickle. I am the loudnessof what I hear, the blindness of what I eat and, whenI drink, my body is abandoned to a deadlysleep that I turn in another direction. But where I to see light inside a palateof even sentences and congenial warmth,let then the tongue be loosened in my mouth, the hairof my head, let the forbidden memorybe torn, veil of a softly fastened line of silverthread with fennel beads, and let me sleep,lips and pleasure, on the breast of my beloved. © Translated by Ana Hudson, 2010

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ANA LUÍSA AMARAL Etimologias Sei o teu carro de cor:a forma leve dos bancos,a angústia de cada vidro,a cor de cada junçãoSei de cor a tua mãoatravessada por dentrodo carro que sei de cor:cada traço repetidoem impressão digital,a forma de cada dedopor dentro da tua mãoA sintaxe repetidado carro que sei de cor(etimologicamente:por […]

Ler mais east

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ANA HATHERLY As lágrimas do Poeta Um poeta barroco disse:As palavras sãoAs línguas dos olhos Mas o que é um poemaSenãoUm telescópio do desejoFixado pela língua? O voo sinuoso das avesAs altas ondas do marA calmaria do vento:TudoTudo cabe dentro das palavrasE o poeta que vêChora lágrimas de tinta in O Pavão Negro, […]

Ler mais east